Trinta jornadas decorridas de 38 da Premier League e o Leicester aguenta-se firma no comando da tabela com cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado: o Tottenham. Imaginado uma balança de dois pratos, o do sonho vai tendo cada vez menos peso; o da realidade, por oposição, cada vez mais.

A comandar o fiel desta balança está o treinador italiano Claudio Ranieri e os seus «ragazzi: o surpreendente goleador Jamie Vardy (Inglaterra), o talentoso Mahrez (Argélia), o pulmão Drinkwater (Inglaterra), o renascido Robert Huth (Alemanha), o Schmeichel de segunda geração (Dinamarca) & Companhia.

Todos estes já são mais do que (eram) menos conhecidos. Ranieri fez jus à mascote do Leicester – a raposa – e foi matreiro ao colocar esta equipa a fazer o melhor uso possível das capacidades dos seus jogadores. Os resultados estão à vista – com apenas três derrotas no campeonato. E os nomes do plantel já vão andando nas bocas de todos à medida que os pratos da balança se distanciam.

O que muita gente ainda não consegue pronunciar é «Srivaddhanaprabha». Este é o nome do dono do Leicester, Vichai Srivaddhanaprabha, que gere o clube inglês com a colaboração próxima do seu filho, Aiyawatt Srivaddhprabha. E o primeiro homem fora dos jogos a quem tem de ser reconhecida responsabilidade pela ascensão do modesto (na história do futebol inglês) Leicester ao topo da Premier League não pode ser senão o milionário tailandês patriarca da família Srivaddhanaprabha.

Aqui estão ambos numa imagem da altura em que ainda não se sabia dizer os nomes deles cá para estes lados.

O último responsável, sabe-se agora, é Buda. Ou o Budismo, precisando. Se o sucesso do Leicester tem o dedo material de Srivaddhprabha, o dedo espiritual está na mão de monges budistas. E não há contradição entre a fortuna material do milionário tailandês e a espiritualidade do Budismo – como o Leicester já mostrou e como se explicitará mais adiante.

A reportagem da «AFP» publicada nesta terça-feira revela a espiritualidade desta história de encantar da época 2015/16. Além da estabilidade financeira, além de Ranieri & Cia., o carma do Leicester também faz parte sucesso; o seu bom carma, concretizando. A revelação é feita à agência francesa pelo monge budista Phra Prommangkalachan.

O monge tailandês e outros companheiros de religião têm visitado o Leicester desde há pelo menos tês anos e têm deixado as suas marcas no plantel, além de benzerem o relvado do Estádio King Power. «Pendurei alguns amuletos nos pescoços deles e dei-lhes talismãs», contou o monge a «AFP». «Não tenho a certeza de que eles perceberam o que eu lhe expliquei, mas ficaram a saber que lhes trazia boa sorte.»

Prommangkalachan garante que o dono do Leicester é um budista devoto e que acredita piamente na força do carma: «Ele levou os monges lá para rezarem por auspícios e sorte nos jogos, para a equipa técnica e para os jogadores», disse o monge tailandês.

A explicação da concentração de fortuna material e de espiritualidade religiosa já pode agora ser explicada, pois o tailandeses acreditam que a sorte a e a fortuna chegam com o mérito atingido, trabalhado pela oração, pelas oferendas e pelas ações. E agora que se já se sabe dizer o nome do milionário tailandês podemos conhecê-lo um pouco melhor.

Vichai Srivaddhanaprabha é um empresário tailandês do retalho cuja marca de lojas «duty-free» King Power – que dá nome ao estádio do Leicester e está nas camisolas da equipa – lhe dá a nona fortuna do seu país. O apelido Srivaddhprabha foi, de resto, atribuído à sua família pelo seu contributo para o país pelo rei da Tailândia.

Homem que gosta de estar distante das parangonas, Srivaddhanaprabha comprou o Leicester em 2010 assumindo a sua presidência no ano seguinte. Para a vice-presidência do clube levou o seu filho Aiyawatt – conhecido amante do polo. Em 2013/14 ganharam o campeonato da segunda divisão inglesa. Neste ano, o segundo na Premier League sob o seu reinado, estão cada vez mais perto de vencê-la.

Prommangkalachan conta que os jogadores «ficaram contentes por verem monges irem ao clube» e revela que «apesar das diferentes religiões» são «unidos como bons amigos». Esta reciprocidade faz com que também na casa do monge tailandês, o tempo Taimitr Withayaram Woraviharn, em Banguecoque, já haja – como mostra a «AFP» – galhardetes do Leicester tornando este já um local de culto especial e turístico.

É o bom carma em perfeita ação. E quanto ao título ser ganho pelo Leicester, Prommangkalachan garante: «A equipa vai ser a número da Premier League, de certeza.»

Pedro Calhau