Uma mulher de 29 anos, de Leicestershire, Inglaterra, decidiu colocar botox nos lábios. O problema é que lhe foi administrado incorretamente e quase lhe provocou a morte do tecido labial, bem como um inchaço anormal da boca.

Rachael Knappier estava numa “festa do botox” - uma festa que é organizada para que os convidados possam fazer aplicações de botox a preços mais baratos ou até de forma gratuita - em casa de uma amiga, quando decidiu fazer preenchimento labial.

De acordo com a BBC, a esteticista que estava a administrar as injeções de botox aconselhou Rachael a fazê-lo nos lábios e na testa.

Depois de colocar na testa, Knappier explicou que a profissional lhe sugeriu colocar botox nos lábios porque uma marca que a jovem tinha naquela zona, provocada por um acidente que teve aos 13 anos, poderia ser disfarçada por essa intervenção.

No entanto, a mulher não estava à espera de que a sugestão da esteticista resultasse numa necrose do tecido labial (uma condição que provoca a morte de células ou de tecidos, causada por uma infeção). O preenchimento labial de que Rachael foi alvo resultou numa artéria perfurada pela injeção. O botox deveria ter sido colocada no tecido labial, mas acabou por ser aplicado na artéria.

O procedimento provocou um corte da circulação do sangue para o lábio superior da mulher e fez com que este inchasse de forma anormal. 

Este é o resultado de um preenchimento labial que realizei com a Bretony. A esteticista injetou o botox numa artéria, causando necrose. Precisei de vários tratamentos para salvar o meu lábio quase morto. Ela não estava qualificada para aplicar botox nem para realizar o tratamento médico porque é uma esteticista. Não me pediu para assinar qualquer termo de responsabilidade e injetou uma quantidade que eu não pedi e não paguei. Por favor, evitem realizar estes procedimentos desta forma…”

Após a aplicação, Rachael começou a sentir uma dormência anormal dos lábios e procurou ajuda imediata.

De repente, estavam de um tamanho que eu nunca tinha visto”, afirmou a vítima, citada pela emissora de televisão BBC.

Em estado de desespero, a jovem ligou para uma outra esteticista pelo FaceTime, que, de acordo com ela, ficou em choque com o inchaço anormal dos lábios.

Ela disse-me para colocar gelo e tomar um anti-histamínico, mas os meus lábios continuavam a inchar”.

Vómitos durante dias

Aconselhada pela profissional de estética a dirigir-se com urgência a uma unidade hospitalar, Rachael foi atendida por um médico que lhe disse que não iria retirar o botox e que apenas se iria certificar de que ela não corria perigo. Foi socorrida a tempo.

Quando cheguei ao hospital, os médicos disseram-me que o preenchimento tinha sido administrado incorretamente. Sem tratamento, isso iria levar a uma necrose, que é a morte do tecido do lábio - algo que é irreversível”, explicou a jovem à revista Cosmopolitan.

O botox injetado indevidamente fez com que a mulher vomitasse vários dias seguidos.

Depois de ter sido vista por médicos, Rachael dirigiu-se a uma clínica especializada em botox para remover o preenchimento que havia feito. Em 72 horas, os seus lábios voltaram ao normal e a mulher jurou que não voltaria a fazê-lo.

Fiquei traumatizada. Não desejo isto nem aos meus piores inimigos”, afirmou.

Regulação da indústria estética

Três meses após a experiência que descreveu como “infernal”, Rachael assegurou que os seus lábios estavam “de volta ao normal, mas esta história poderia ter tido um final diferente”.

Dado aquilo que lhe aconteceu, criou uma petição para avisar as pessoas a evitar este tipo de situações. A jovem alerta para a colocação de botox apenas em centros de estética profissionais e especializados. A petição pede ainda a regulação de tratamentos e da indústria estética para que se consigam evitar aplicações indevidas de botox.

Estou a tentar aumentar a consciencialização das pessoas para os perigos de fazerem procedimentos estéticos com pessoas não qualificadas”.

A jovem partilhou na sua conta do Facebook a petição e uma mensagem sobre o incidente, que aconteceu em agosto deste ano. Pede para que a petição criada obtenha o maior número possível de assinaturas.

A indústria estética é tão desregulada que permite que pessoas participem em cursos de estética num dia e no seguinte já estão aptas para injetar botox. Pessoas não especializadas não devem ser legalmente autorizadas a realizar esses procedimentos. É claro que também existem riscos quando médicos realizam preenchimentos com botox, mas estes podem tratar qualquer problema e reconhecê-lo, o que pode ser tão vital quanto salvar uma vida. Por exemplo, uma esteticista não pode prescrever um paracetamol! Não existe nenhum registo para verificar essas pessas, não há nenhuma lei que obrigue essas pessoas a dizer há quanto tempo trabalham na área, não existem termos de consentimento para assinar e que digam que riscos associados existem ao colocar botox com uma esteticista e não existe nenhuma obrigação para que estas forneçam contactos de emergência, caso alguma coisa corra mal”.

De acordo com Rachael, se a petição criada pela própria chegar até às 10 mil assinaturas a regulação da indústria estética poderá chegar ao governo. Se mais pessoas aderirem e o apelo alcançar as 100 mil assinaturas este assunto poderá mesmo ser debatido no Parlamento britânico.