Os ensaios clínicos da vacina Coronavac, que foram suspensos na segunda-feira no Brasil, após o anúncio de um incidente "grave” com um dos voluntários, vão ser retomados.

Recorde-se que a vacina está a ser produzida pela empresa chinesa SinoVac, em parceria com a empresa alemã BioNTech, com apoio do Instituto Butantan.

Depois de avaliarmos os novos dados apresentados pelo patrocinador depois da suspensão do estudo, a ANVISA entende que tem subsídios suficientes para permitir que a vacinação seja retomada e continua a acompanhar a investigação do desfecho do caso para que seja definida a possível relação de causalidade entre o EAG inesperado e a vacina”, informou a Anvisa em comunicado.

Na segunda-feira, a agência ordenou a suspensão dos testes depois de ser informada que um dos voluntários tinha registado um “evento adverso grave”. As informações são confidenciais, mas a CNN apurou que o voluntário se suicidou e, portanto, nada estaria ligado à segurança da vacina.

A suspensão dos ensaios clínicos da Coronavac, que envolve nove mil voluntários, ocorreu um dia depois de o gigante farmacêutico norte-americano Pfizer anunciar que a sua vacina contra a covid-19 alcançou 90% de eficácia nos testes.

As vacinas candidatas da Pfizer e Sinovac estão em ensaios da Fase 3, a última fase antes de receberem aprovação regulamentar.

Ambas estão a ser testadas no Brasil, o segundo país mais afetado pela pandemia, com mais de 162.000 mortes.

A Coronavac, que está igualmente a ser testada na China, Turquia, Bangladesh e Indonésia, tem sido objeto de uma batalha política no Brasil entre um dos seus maiores apoiantes, o governador de São Paulo, João Doria, e o seu principal adversário político, o presidente Jair Bolsonaro, que em outubro proibiu a sua compra.

O chefe de estado referiu-se à vacina da Sinovac como sendo proveniente "daquele outro país" e, em vez disso, promoveu a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford com a empresa farmacêutica britânica AstraZeneca.

O Governo de São Paulo aliou-se à Sinovac para coordenar a última fase dos ensaios clínicos em território brasileiro, e assinou um contrato que incluiu a aquisição e distribuição de 46 milhões de doses da vacina.

Bolsonaro, que se mostra cético em relação à gravidade da pandemia e se declara anticomunista, também determinou que a vacinação contra a covid-19, que já causou quase 156 mil mortes e mais de 5,3 milhões de infetados no Brasil, não será obrigatória.

Toda a situação gerou uma forte polémica no país e transformou a distribuição da futura vacina numa batalha altamente politizada entre o chamado “Bolsonarismo” e a oposição, tanto conservadora quanto de esquerda.

Lara Ferin