O primeiro-ministro de Timor-Leste manifestou solidariedade e apresentou "profundas condolências" às famílias das vítimas mortais das cheias de domingo, a quem prometeu "todos os esforços" para as ajudar, face ao desastre natural.

“Fico muito triste ao assistir a estes desastres naturais, neste caso, as chuvas torrenciais que causaram danos e perda de vidas. Apresento a minha solidariedade às vítimas pelo sofrimento das suas famílias”, afirmou Taur Matan Ruak, num comunicado divulgado no final da noite de domingo.

As minhas orações vão para os que perderam a vida e suas famílias. Desejo muita força a todos nestes tempos difíceis e espero que ultrapassemos este sofrimento. O Governo envidará todos os esforços para ajudar as famílias afetadas pelo desastre natural”, afirmou Taur Matan Ruak, em nome do Governo.

As cheias que assolaram Timor-Leste no fim de semana causaram pelo menos 27 mortos em todo o país e mais de sete mil desalojados em Díli, informou o Governo esta segunda-feira.

Este balanço de vítimas mortais é ainda provisório, uma vez que várias pessoas estão dadas como desaparecidas.

Até agora os dados de vítimas mortais em todo o país é de 27. Além destas pessoas que perderam a vida, há ainda oito casos de pessoas cuja situação não é ainda conhecida”, disse o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães.

“Em Díli confirma-se até ao momento um total de 13 mortos e mais de sete mil desalojados, que estão de momento abrigados em 12 espaços localizados em vários pontos da cidade”, disse.

Fidelis Magalhães falava aos jornalistas depois de uma reunião liderada pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, da Comissão Interministerial para a Proteção Civil e Desastres Naturais, para coordenação da resposta ao impacto das inundações.

A Secretaria de Estado da Proteção Civil irá funcionar como centro operacional de recolha de apoio humanitário e o vice-primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas apelaram também ao contributo de entidades do setor privado que possuam máquinas para apoiar nas ações de limpeza.

As autoridades durante o dia de ontem mobilizaram esforços para providenciar abrigo e apoio alimentar aos desalojados e iniciaram as intervenções nas infraestruturas com o objetivo de restabelecer a mobilidade viária e o fornecimento de energia elétrica com segurança e garantir a reparação de sistemas de abastecimento de água danificados, e, efetuar os trabalhos urgentes de limpeza de drenagens, normalização e desassoreamento de ribeiras”, explica uma nota do executivo.

O governante explicou que entre as várias medidas acordadas, a comissão deliberou permitir a abertura das lojas de material de construção – fechadas com base nas regras de confinamento obrigatório – para que as famílias afetadas pelas cheias possam recuperar as suas casas.

Durante a reunião, o primeiro-ministro agradeceu o contributo que tem sido dado pelos envolvidos na resposta às inundações, incluindo as organizações religiosas, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil e cidadãos em geral.

Por outro lado, orientou os membros da Comissão Interministerial para a Proteção Civil e Desastres Naturais “para que impulsionem as medidas de apoio às populações afetadas e as ações de limpeza e de levantamento dos danos nas infraestruturas com vista a rápida normalização da mobilidade viária e dos sistemas de abastecimento de energia elétrica, água e saneamento”.

Atualmente, na capital, há já 11 locais que estão a acolher milhares de pessoas desalojadas.

Além do apoio oficial que está a ser coordenado pelas autoridades, cidadãos e empresas de Díli têm-se mobilizado desde domingo para fazer chegar ajuda aos mais afetados.

Quem quiser apoiar com bens e donativos, pedimos que centralizem a sua entrega nas instalações da Proteção Civil em Caicoli”, sublinhou a entidade.

Num relatório preliminar da secretaria de Estado da Proteção Civil a que a Lusa teve acesso refere-se que foram afetadas de forma significativa mais de duas mil famílias, com o levantamento e avaliação das necessidades de emergência ainda a decorrer em vários locais.

Depois de uma noite sem chuva, a população de Díli está hoje num processo inicial de limpeza e de rescaldo, com várias zonas da cidade ainda sem eletricidade.

Na Indonésia há 55 mortos

Na Indonésia, que faz fronteira com Timor, pelo menos 55 pessoas morreram e dezenas continuam desaparecidas devido às cheias, segundo um novo balanço feito hoje pelas autoridades locais. O anterior balanço apontava para 44 mortos.

Há 55 mortos, mas o número de mortos continua a aumentar, sendo que 42 pessoas continuam desaparecidas", disse o porta-voz da agência de gestão de catástrofes da Indonésia, Raditya Jati, aos jornalistas.

As cheias repentinas causadas pelas chuvas torrenciais causaram significativos estragos na ilha das Flores, levando milhares de pessoas a procurar abrigos.

Deslizamentos de terras e inundações repentinas são comuns no arquipélago indonésio, especialmente durante a estação chuvosa. Mas ativistas ambientais apontam a desflorestação como um fator importante para estas catástrofes.

/ MJC