Por estes dias fala-se em deputados que não querem andar de Renault Clio e renovam a frota automóvel oficial com carros de luxo, de privilégios mantidos e muitos exemplos que ficam por dar pela classe política. No Uruguai, porém, o Presidente serve de exemplo para todo o mundo.

José «Pepe» Mujica, 77 anos, é conhecido como «o Presidente mais pobre do mundo», tendo doado 90% do seu salário (teria direito a cerca de 9700 euros) e percorrendo as ruas de Montevideo com o seu antigo VW Carocha. Justifica que consegue viver bem com os cerca de 970 euros que leva para casa, pois «muitos uruguaios vivem com muito menos».

Mujica não vive na residência oficial de Presidente, optando pela casa em meio rural que partilha com a mulher, a senadora Lucía Topolansky, que também doa parte do seu salário. Ex-combatente pelo Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros, esteve preso 14 anos, foi deputado, senador e ministro da Agricultura e Pescas. É Presidente do Uruguai desde 2010.

Generoso, recentemente feriu-se no nariz quando ajudava vizinhos a consertar o telhado depois de um temporal que se abateu sobre Montevideu. «Estávamos a prende a chapa, perdemos o controlo e não consegui desviar-me. Mas não foi nada grave», disse.

Esta semana voltou a destacar-se pela dimensão humanitária. Disse que a «grande guerra» que o mundo deve travar é o combate à «desigualdade e pobreza». Ao discursar na 10ª Conferência dos Ministros da Defesa das Américas, que se realizou na cidade uruguaia de Punta del Este, Mujica ressaltou que a «nova era globaliza-se em extensão e cultura», por isso os esforços devem ser redobrados na procura da inclusão social.

Acrescentou que o objetivo dos líderespolíticos latino-americanos deve ser os mais pobres: «A nossa verdadeira causa está nestes anónimos, nesta multidão anónima, com a qual temos uma causa e um dever. Tudo isso compõe a esperança e a angústia que temos».