O maior traficante de droga do mundo, ainda mais que o colombiano Pablo Escobar, segundo a agência norte-americana DEA, foi recapturado no sábado, em Sinaloa, no seu estado natal, depois de 13 anos em fuga à justiça.

Joaquín Guzmán, «El Chapo», estava numa das suas casas em Mazatlán, uma espécie de complexo turístico durante o dia e cidade subterrânea à noite.

Com uma fortuna avaliada em mil milhões de euros, figurava anualmente na lista dos mais ricos da Forbes. Mas era também o homem mais procurado pelos Estados Unidos, a seguir a Osama Bin Laden, depois de ter escapado de uma prisão mexicana de máxima segurança, em 2001.

Oriundo de uma família pobre na comunidade agrícola de Badiraguato, Sinaloa, ascendeu a «barão» como o maior fornecedor de droga dos EUA, onde controlava o tráfico de cocaína, heroína, marijuana e metanfetaminas.

«'El Chapo' tornou-se no mais icónico traficante de droga dos tempos modernos», considera Ioan Grillo, citado pela BBC, ele que é autor de «El Narco», livro que analisa os cartéis mexicanos. «Até mais que o maior traficante dos anos 80, Miguel Ángel Félix Gallardo, para quem trabalhou», acrescenta o especialista.

Começou por baixo, no cartel de Guadalajara, no final dos anos 70, mas rapidamente ascendeu na cadeia, ao que tudo indica por convencer os seus chefes de que tinha mão para coisas maiores. Convenceu-os com mais droga, mais rotas e formas inovadoras de fazer a mercadoria chegar ao seu destino.

Para Ioan Grillo, «El Chapo» destaca-se pelo seu pragmatismo.

«Teve a habilidade de ascender ao topo fazendo uso seletivo da violência, para sobreviver às ameaças de violência e ao mesmo tempo criar uma mitologia ao seu redor. Tudo isto fez dele uma figura reconhecida», analisa.

Em troca, o «baixinho» exigia apenas lealdade máxima. Tanto a quem trabalhava consigo como aos populares.

E foram os populares que o colocaram num pedestal.

«Dos pés à cabeça é baixo, mas da cabeça ao céu diria que é o maior dos maiores, quem duvida?» A letra é de um «narco-corrido», estilo musical que evoca a rotina do narcotráfico mexicano, no caso de «El Chapo».

Cantadas em festas locais, contam a admiração, o medo e o respeito por «El Chapo», com relatos da sua estatura baixa, da sua riqueza, das mulheres da sua vida.

Mito ou não, uma verdade se extrai desta detenção. Trata-se de um enorme triunfo para o presidente mexicano Enrique Peña Nieto, com grande repercussão nos Estados Unidos.
Redação / CM