Uma das originalidades do sistema eleitoral americano é que o Presidente não é escolhido diretamente pelo voto popular. O que interessa mesmo é ter, pelo menos, 270 dos 538 Grandes Eleitores apontados ao Colégio Eleitoral, na soma dos resultados dos estados.

Foi por isso que, por exemplo, Al Gore teve mais 500 mil votos do que George W. Bush em 2000 mas, mesmo assim, perdeu a presidência para o então governador do Texas. Bush obteve mais Grandes Eleitores, graças aos triunfos na Florida e no Ohio.

Quatro anos depois, quase aconteceu o contrário: Bush bateu claramente John Kerry no voto popular (51-48), mas bastava ao candidato democrata ter mais 120 mil votos no Ohio para vencer a eleição.

A luta de 2012 volta a exigir contas apertadas. Nos últimos dias, as sondagens nacionais têm mostrado uma tendência consistente, que aponta para uma pequena vantagem de Mitt Romney (49-48 na ABC/Washington Post). Mas isso pode não ter grande significado se o nomeado republicano não conseguir reverter o atraso que tem no Colégio Eleitoral.

Desde cedo se percebeu que a estratégia de reeleição de Barack Obama iria assentar em fortes apostas nos estados-chave. Em mais de um ano de campanha, o Presidente liderou sempre no Ohio, na Pensilvânia, no Wisconsin, no Iowa, no Michigan e no Novo México. Chegou a ter uma boa vantagem na Virginia, que entretanto se evaporou com o momentum ganho por Romney no primeiro debate e se tornou num empate técnico.

Colorado, Nevada e New Hampshire são outros dos estados onde não da para apontar um favoritismo de qualquer dos candidatos. Dos chamados swing states, Romney só está à frente na Florida (por curta margem), na Carolina do Norte e no Missouri.

Tudo somado, ambos os candidatos estão ainda abaixo do numero magico dos 270, mas Obama parte em vantagem para o sprint final. Sobretudo porque mantém no Ohio um avanço que terá a ver com dois trunfos: o resgate da industria automóvel (que além de ter sido decisivo no Michigan, também salvou o emprego a uma percentagem importante dos trabalhados do Ohio) e a máquina oleada que o Presidente desde cedo montou no «buckeye state».

O Ohio já tinha sido, para Mitt Romney, o grande prémio da época de primárias. Mas será, sobretudo, o estado para onde todos estarão a olhar no próximo dia 6 de novembro.

Nunca um candidato republicano venceu a eleição geral sem obter o Ohio. Esta frase, tão repetida por estes dias nos meios políticos em Washington, deverá habitar permanentemente a cabeça de Romney - não por acaso, Mitt tem passado muitos dias dos útimos meses naquele estado do Midwest.

Já em fase de aceleração para a reta final da campanha, os dois candidatos fazem maratonas - e, às vezes, nem há tempo de ir a cama. Só dá mesmo para tirar uma sesta no avião.

Entre quarta e quinta-feira passadas, Barack Obama percorreu, em 48 horas, a América de costa a costa. Começou na costa oeste, fez um comício em Las Vegas, Nevada, na terça à noite, que terminou bem tarde, seis horas depois estava a tomar o pequeno-almoço na Florida, à tarde juntou uma multidão em Richmond, Virginia, e pelo meio, ainda teve tempo de votar em Chicago, no Illinois, para mostrar as vantagens do «early vote».

Parece impossível, mas aconteceu.

Faltam 10 DIAS para as eleições presidenciais nos EUA.

* Germano Almeida e jornalista, autor do livro "Historias da Casa Branca" e do blogue Casa Branca. Está em Washington D.C. ao abrigo da bolsa da Fundação Luso-Americana sobre as eleições presidenciais americanas
Redação / Germano Almeida, em Washington D.C.*