Moscovo acusou a Turquia de ter colocado em perigo cidadãos russos que seguiam a bordo do avião sírio que a força aérea turca obrigou a aterrar, por suspeitar que pudesse transportar armas para o regime liderado pelo presidente Bashar al-Assad.

O Airbus A-320 viajava de Moscovo para Damasco quando foi obrigado a desviar-se para Ancara para ser inspecionado, sob escolta de caças turcos. Na origem desta decisão terá estado uma informação dos serviços secretos de que o aparelho transportaria «carga não civil».

A Rússia, que tem apoiado o regime sírio ao longo os últimos 18 meses de conflito, na sequência de um levantamento popular contra o presidente al-Assad, não gostou da forma como o avião foi desviado.

«As vidas e a segurança dos passageiros foram colocados em perigo», afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia em comunicado, salientando que aos 17 cidadãos russos a bordo foi-lhes negado o contacto com diplomatas de Moscovo.

Uma fonte da agência russa responsável pela exportação de armas disse à Interfax que o avião não transportava quaisquer tipo de armamento ou equipamento militar.

Contudo, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ahmet Davutoglu, afirmou à agência Anatolia que a bordo foi encontrada «carga ilegal que devia ter sido comunicada».

O governante não deu mais explicações sobre o material encontrado, embora alguns media turcos refiram que entre esta carga estariam caixas com equipamento militar de comunicação.

A Turquia, que impôs um embarco de armas à Síria em setembro, já assegurou que irá continuar a investigar os aviões de passageiros sírios que passem pelo seu território.

A Síria reagiu através do seu ministro dos Transportes, Mahmoud Said, que disse, citado pela televisão libanesa al-Manar, que este incidente se tratou de um ato de «pirataria aérea que contradiz os tratados de avião civil».

A Turquia tem recebido dezenas de milhares de refugiados em fuga do conflito sírio, que já causou a morte de mais de 30 mil pessoas.

As relações com a Síria tornaram-se mais tensas desde a semana passada, depois de disparos de morteiro sírios terem matado cinco pessoas numa cidade fronteiriça turca, o que levou Ancara a retaliar contra posições do regime de al-Assad.