O prémio Nobel da Medicina 2012 atribuído conjuntamente ao britânico John B. Gurdon e ao japonês Shinya Yamanaka «pela descoberta de que as células maduras podem ser reprogramadas para se tornarem pluripotentes», anunciou o Comité Nobel.

Os dois cientistas já tinham vencido o prestigiado prémio da Fundação Lasker em 2009, depois de terem descoberto, em trabalhos separados, que algumas células adultas podem ser reprogramadas para se tornar pluripotentes, ou seja, capazes de se especializar em qualquer órgão ou tecido corporal - como nervos, músculos e pele. A intenção agora é aumentar a reprogramação para criar tecidos substitutos para tratar doenças como Parkinson e para estudar a raiz das doenças em laboratório.

Segundo explica a assembleia Nobel no comunicado em que anuncia os nomes dos laureados, o Instituto Karolinska decidiu distinguir dois cientistas que descobriram que células maduras e especializadas podem ser reprogramadas para se tornarem células estaminais, capazes de formarem qualquer tecido do corpo. «A sua descoberta revolucionou a nossa compreensão de como as células e os organismos se desenvolvem», acrescenta o comunicado.

John B. Gurdon, nascido em 1933 no Reino Unido, descobriu em 1962 que a especialização das células é reversível. Shinya Yamanaka, que nasceu no Japão em 1962, descobriu mais de 40 anos depois, em 2006, como células maduras intactas em ratos podem ser reprogramadas para se tornarem células estaminais.

«Surpreendentemente, ao introduzir apenas alguns genes, ele reprogramou células maduras para se tornarem células estaminais pluripotentes, ou seja, células imaturas que podem transformar-se em qualquer tipo de célula no organismo», adianta o comité.

Estas descobertas, que o Comité Nobel considera revolucionárias, mudaram «por completo» a forma como a ciência vê o desenvolvimento e a especialização celulares. «Compreendemos hoje que a célula madura não tem de ficar confinada para sempre ao seu estado especializado. Os manuais foram reescritos e estabeleceram-se novos campos de investigação. Ao reprogramar células humanas, os cientistas criaram novas oportunidades de estudar doenças e desenvolver métodos de diagnóstico e terapia», acrescenta o mesmo comunicado.

As células estaminais pluripotentes são as células existentes num embrião nos primeiros dias após a conceção. São células que podem transformar-se em quaisquer células existentes no organismo adulto - células nervosas, a células musculares, células do fígado - especializadas para cumprir funções específicas. Em tempos pensava-se que este caminho, desde a célula imatura à célula especializada, era unidirecional, sendo impossível que as células especializadas voltassem ao estado imaturo e pluripotente.

Foi este dogma que John B. Gurdon e mais tarde Shinya Yamanaka quebraram.

O biólogo britânico John B. Gurdon nasceu em 1933 em Dippenhall, no Reino Unido. Doutorou-se na Universidade de Oxford em 1960 e recebeu uma bolsa de pós-doutoramento no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Entrou na Universidade de Cambridge em 1972, onde foi Professor de Biologia Celular e reitor do Magdalene College entre 1994 e 2002. Atualmente, está no Instituto Gurdon em Cambridge.

Shinya Yamanaka nasceu em Osaka em 1962. Licenciou-se em Medicina em 1987 na Universidade de Kobe e recebeu formação como cirurgião ortopédico antes de se dedicar à investigação básica. Doutorou-se na Universidade de Osaka em 1993, após o que trabalhou no Instituto Gladstone em São Francisco, EUA, e no Instituto Nara de Ciência e Tecnologia, no Japão. Atualmente, é professor na Universidade de Quioto e está também ligado ao Instituto Gladstone.
Redação / FC