É mais um caso de «eu avisei» no que respeita ao aquecimento global. As temperaturas são cada vez mais altas e o futuro é pior do que se imaginava, defende um cientista da NASA.

James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da agência governamental norte-americana e um dos que mais tem alertado ao longo dos anos para o impacto das mudanças climáticas, publicou nos últimos dia um artigo no Washington Post, que está a dar que falar.

«As minhas projeções sobre o aumento da temperatura global demonstraram ser verdadeiras. Mas falhei em prever a rapidez (das mudanças). Tenho uma confissão a fazer: fui muito otimista», escreveu Hansen.



No texto «A mudança climática está aqui e é pior do que pensávamos», o cientista lembrou que, já no verão de 1988, diante do Senado norte-americano, traçou «um panorama obscuro sobre as consequências do aumento contínuo da temperatura impulsionado pelo uso de combustíveis fósseis».

Segundo este responsável da NASA, os verões de calor extremo registados em diversos pontos do planeta são resultado do aquecimento global e as recentes ondas de calor provam-no.

Os cientistas da NASA analisaram a temperatura média no verão desde 1951 e mostraram que em décadas recentes aumentou a probabilidade do que definem como verões «quentes», «muito quentes» e «extremamente quentes». Sendo que estes últimos tornaram-se mais frequentes.

Desde 2006, cerca de 10 por cento da superfície em terra no hemisfério norte tem registado temperaturas extremas a cada verão.

Para James Hansen é, por isso, urgente que o público entenda o significado do aquecimento global devido à ação humana.

«É pouco provável que as ações para reduzir as emissões de gases alcancem os resultados necessários enquanto o público não reconhecer que a mudança climática causada pela ação humana está a ocorrer. E perceber que haverá consequências inaceitáveis se não forem tomadas ações eficazes para desacelerar este processo», argumentou.