Dezenas de mísseis foram lançados esta quarta-feira pelas forças iranianas contra duas bases aéreas norte-americanas no Iraque. Segundo a televisão estatal do Irão, o ataque ocorreu nas bases de Ain Al Asad e de Erbil. A primeira infraestrutura é a maior base aérea do Iraque e situa-se a cerca de 200 quilómetros da capital Bagdad.

A estação descreveu esta ação, com mísseis terra-terra e desencadeada na madrugada de quarta-feira, como uma operação de vingança na sequência da morte do general iraniano Qassem Soleimani.

A televisão estatal iraniana afirmou que os mísseis disparados de madrugada por Teerão mataram 80 norte-americanos, citando uma “fonte informada” junto dos Guardiães da Revolução (IRGC na sigla em inglês), uma informação que se revelaria falsa.

Pelo menos 80 militares norte-americanos foram mortos no ataque”, afirmou o site da televisão estatal da República Islâmica, citado pela agência France-Presse.

O comando militar do Iraque indicou esta quarta-feira em comunicado que 22 mísseis atingiram o território do Iraque “entre as 01:45 e as 02:15 locais” e que “17 foram contra a base aérea de Ain al-Assad e cinco contra a cidade de Erbil”.

Aviões não tripulados (‘drones’), helicópteros e outro material militar também foram danificados nos ataques, adiantou a mesma fonte iraniana.

O jornal britânico Guardian indicou que as autoridades iranianas disseram a media estatais que pelo menos 80 norte-americanos “foram mortos ou feridos” nos ataques e que o balanço estava “a ser escondido do público”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve na base aérea de Ain Al Asad durante os festejos do último dia de Ação de Graças, em novembro.

A IRGC afirma que, se houver resposta dos Estados Unidos, o Irão "vai atacar na América".

A base de Erbil, uma zona dominada por curdos, foi outro dos alvos do ataque. Esta base, que se situa a norte de Bagdade, também alberga forças de militares de outros países, como o Reino Unido.

Na sequência do ataque, o IRGC avisaram os Estados Unidos da América e aliados regionais contra qualquer retaliação, através de uma declaração divulgada pela agência oficial iraniana IRNA.

Advertimos todos os aliados dos americanos, que disponibilizaram as suas bases a este exército terrorista, que será atacado qualquer território que constitua um ponto de partida de atos agressivos contra o Irão”, referiram os Guardas da Revolução. Israel também foi ameaçado.

As ameaças também se estendem a Israel, com as agências de notícias iranianas a afirmarem que o Hezbollah vai atacar em solo israelita se os Estados Unidos retaliarem. Numa nota divulgada mais tarde, através do Telegram, o IRGC afirmou que vai atacar o Dubai (Emirados Árabes Unidos) e a cidade de Haifa (Israel) caso o Irão seja bombeado.

As provocações aos Estados Unidos

Um dos homens fortes do Irão, Saeed Jalili, responsável máximo pela segurança do Irão, partilhou uma imagem de uma bandeira do Irão através do Twitter. Esta publicação foi vista como uma provocação direta a Donald Trump, que tinha tweetado uma imagem de uma bandeira dos Estados Unidos depois da morte de Qassem Soleimani.

Também em jeito de retaliação, e segundo um dado avançado pelo The New York Times, a hora do ataque terá sido pensada. Os mísseis terão sido lançados por volta das 1:30 locais (22:30 em Lisboa), a mesma hora do ataque que resultou na morte do general Qassem Soleimani.

Através do Twitter, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que o país reagiu em "medidas proporcionais e em legítima defesa". Javad Zariff explicou ainda quais as razões por detrás da escolha das bases atacadas.

Atingimos as bases a partir das quais ataques armados cobardes foram lançados contra os nossos cidadãos e altos responsáveis”, explicou.

 

A publicação, que faz referência ao artigo 51 da carta das Nações Unidas, afirma que o Irão "não procura uma escalada de guerra, mas vai defender-se de quaisquer agressões".

A IRGC acabou por difundir um comunicado, que foi publicado pela agência noticiosa Tasmin. Na nota, os iranianos referem quatro pontos:

  • 1 – Alertamos os Estados Unidos que se avançarem com mais movimentos, daremos respostas mais dolorosas.

  • 2 – Advertimos os governos que deram espaço e bases aos EUA, de onde quer que sejamos atacados, os atacaremos nos seus países!

  • 3 – Reconhecemos Israel como cúmplice no crime [morte de Soleimani].

  • 4 – Sugerimos que o povo americano chame os seus soldados nesta região de volta para evitar colocar as suas vidas em risco.

A operação foi batizada de "Mártir Soleimani".

Começam a ser partilhados através do Twitter os momentos em que os mísseis atingiram as bases militares.

 

 

Donald Trump diz que "está tudo bem"

Apesar de não ter falado à nação norte-americana, Donald Trump publicou um Twitter cerca de três horas depois dos ataques. O presidente dos Estados Unidos afirma que "está tudo bem".

Temos o mais poderoso e bem equipado exército do mundo, de longe!", afirmou, antes de dizer que fará uma declaração durante esta quarta-feira.

 

Ainda antes do tweet de Donald Trump, a porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, afirmou que Donald Trump já estava ao corrente da situação.

Estamos a par das notícias dos ataques às instalações norte-americanas no Iraque. O presidente foi informado e está a monitorizar a situação de perto e a consultar a equipa de segurança nacional", referiu.

A confirmação do ataque também surgiu através do Pentágono, que fala em "mais de uma dúzia de mísseis balísticos contra o exército norte-americano". Segundo a defesa norte-americana, estas bases "estavam em elevado estado de alerta".

Segundo os meios de comunicação norte-americano, os mais altos representantes da defesa norte-americana estiveram reunidos com o presidente Donald Trump.

A administração norte-americana decidiu cancelar todos os voos que passem pelo espaço aéreo do Golfo Pérsico, pelo Golfo do Omã ou pelo Iraque.

Até ao momento nao há notícias de vítimas mortais, mas as autoridades continuam a fazer o levantamento relativamente aos estragos provocados pelos mísseis.

O Canadá já tinha ordenado a retirada de algumas tropas precisamente por temer um episódio deste género.

Este ataque é a primeira reação do Irão à morte do general Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds. O militar morreu na sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdade, capital do Iraque, ordenado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.

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António Guimarães / Atualizada às 12:05