Um juiz espanhol emitiu, esta quinta-feira, um mandado de captura contra os três militares norte-americanos suspeitos da morte de um operador de câmara da Telecinco, em 2003, quando se encontrava no Hotel Palestina, em Bagdad. A ordem do juiz Santiago Pedraz visa a extradição dos três militares presumivelmente envolvidos na morte de José Couso, noticia o «El País».

José Couso morreu a 8 de Abril de 2003 na capital iraquiana quando captava imagens a partir do Hotel Palestina, onde estava alojado, assim como grande parte dos jornalistas que fizeram a cobertura da guerra do Iraque em 2003. Os disparos do tanque norte-americano que mataram José Couso causaram também a morte de um repórter da agência Reuters, Taras Protsyuk.



A fundamentar o mandado de captura, o juiz espanhol refere que a maior parte da imprensa internacional se encontrava alojada no Hotel Palestina «por indicação do Pentágono». O magistrado refere por isso que, no momento de disparar contra o edifício, os militares dos EUA sabiam que nele se encontravam civis e, em concreto, grande parte dos trabalhadores dos meios de comunicação social.

No início deste mês de Julho, o Supremo Tribunal espanhol ordenou à Audiência Nacional a reabertura da investigação sobre a morte do operador de câmara. O Supremo considerou que a estratégia bélica, denominada de «impacto e pavor», consistente com actos como o bombardeamento sobre pessoas e bens protegidos em conflito armado, é penalmente imputável a quem dirigia as operações.

Os três militares dos EUA a quem foram imputadas as acções são o sargento Thomas Gibson, o capitão Philip Wolford e o tenente-coronel Philip de Camp.

O juiz pediu autorização ao Conselho Geral do Poder Judicial para se deslocar ao Iraque, entre Outubro e Novembro, e inspeccionar os locais dos acontecimentos.
Redação / AR