O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou esta quarta-feira que a luta contra a corrupção é "uma parte importante" do programa de apoio financeiro a Angola, defendendo o crescente uso de plataforma eletrónica para as obras públicas.

Questionado pela Lusa sobre o impacto da divulgação da investigação do consórcio de jornalistas, conhecida como ‘Luanda Leaks’, o responsável do departamento de comunicação do FMI que faz a ligação com Angola disse que este esforço de combate à corrupção "envolve o fortalecimento da legislação relevante, como a preparação de melhorias à lei de combate à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, e outras leis promovendo uma governança melhor nas instituições públicas".

Nós não comentamos investigações criminais em curso, julgamentos ou documentos divulgados, mas em geral, como noutros programas do FMI, a luta contra a corrupção é uma parte importante do Programa de Financiamento Ampliado em Angola", ressalvou Gediminas Vilkas.

 

O responsável acrescentou, ainda assim, que "este esforço também envolve o aumento da transparência pública, por exemplo através da publicação atempada das contas anuais certificadas das empresas púbicas e um aumento do uso de plataformas eletrónicas para atribuição de contratos públicos".

Esta é uma das questões centrais dos dados divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), que revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

Isabel dos Santos disse estar a ser vítima de um ataque político orquestrado para a neutralizar e sustentou que as alegações feitas contra si são "completamente infundadas", prometendo "lutar nos tribunais internacionais" para "repor a verdade".