Um jovem palestiniano que foi aceite em Harvard foi deportado dos Estados Unidos depois de chegar ao aeroporto de Logan, em Boston. As autoridades norte-americanas alegam que Ismail Ajjawi tem um amigo que terá feito uma publicação anti-Estados Unidos nas redes sociais. O rapaz de 17 anos foi submetido a várias horas de interrogatório, para no fim lhe dizerem que o seu visto tinha sido recusado e que teria de regressar ao Líbano, onde vive.

O estudante começa as aulas no próximo dia 3 de setembro e pretende ver a situação resolvida. A universidade de Harvard, uma das mais cotadas do mundo, já reagiu, afirmando que vai fazer de tudo para que o problema possa ser resolvido antes do começo do ano letivo.

A universidade está a trabalhar de perto com a família do aluno e com as autoridades para resolver o assunto de forma a que o rapaz se possa juntar aos colegas nos próximos dias", comunicou a instituição, num e-mail direcionado ao Harvard Crimson, o jornal da universidade.

 

O rapaz mostrou-se surpreso com a situação, e afirma que esteve oito horas em interrogatório, antes de lhe ser comunicado que o seu visto tinha sido negado e que ia ser deportado. A polícia impediu-o de aceder a bens pessoais como o telemóvel ou o computador.

Entretanto, o jovem contactou a AMIDEAST, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para fortalecer a relação entre os americanos e os povos de África e do Médio Oriente, que lhe está a providenciar apoio legal.

Os serviços de alfândega e proteção da fronteira dos Estados Unidos explicaram ao Harvard Crimson que Ismail Ajjawi foi "considerado inadmissível para entrar nos Estados Unidos com base na informação recolhida durante a investigação"

Os candidatos [ao visto] devem demonstrar que são admissíveis para os Estados Unidos após ultrapassarem todos os graus de inadmissibilidade, incluindo questões de saúde, criminais, razões de segurança, acusações públicas, visto de trabalho, entradas ilegais e violações da imigração", explicou o porta-voz dos serviços de proteção da fronteira, Michael McCarthy.

Numa carta que o rapaz escreveu ao Harvard Crimson, pode ler-se que vários estudantes foram interrogados pelos serviços de imigração de forma normal. Depois de todos se terem ido embora, as autoridades alfandegárias terão inquirido Ismail Ajjawi sobre as suas crenças e práticas religiosas no Líbano. Terá sido depois disso que uma funcionária pediu para aceder aos telemóvel e computador do rapaz, com os quais terá ficado por cinco horas.

Sempre que perguntava se podia ter o meu telemóvel de volta para lhes explicar a situação, a agente recusava e dizia-me para me sentar e não me mexer. Após cinco horas, ela chamou-me para uma sala e começou a gritar comigo. Disse que encontrou amigos meus a publicarem pontos de vista políticos que se opõem aos Estados Unidos", escreveu o Ismail Ajjawi.

O jovem afirmou não ter nada que ver com as referidas publicações, mas as autoridades ignoraram e enviaram Ismail Ajjawi de volta para o Líbano, onde agora luta para poder ingressar na universidade de Harvard, onde as aulas começam em menos de sete dias.