De regresso ao trabalho, depois de ter sido infetado pelo novo coronavírus, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson diz que o Reino Unido está a atravessar o pico da pandemia e pede às pessoas “para conterem a impaciência”, face às medidas de confinamento.

“Temos de reconhecer o risco de um segundo pico, o risco de perder o controlo deste vírus e deixar que a taxa de contágio volte a subir acima de um. Porque isso significaria, não só uma nova vaga de mortes e doença, mas um desastre económico”, justificou Johnson. 

O governante considerou ainda que este é o “maior desafio que o país atravessou desde a guerra” e perante tal cenário enalteceu o esforço de todos.

“Graças ao vosso bom-senso, altruísmo e espírito de comunidade, estamos prestes a finalizar essa primeira missão de impedir que o nosso serviço nacional de saúde fique sobrecarregado da maneira trágica que vimos noutros locais. É assim que estamos a começar a inverter a maré, referiu.

O primeiro-ministro voltou esta segunda-feira ao trabalho, apenas dois dias após o país se ter tornado o quinto a ultrapassar a barreira das 20.000 mortes provocadas pelo novo coronavírus, depois dos EUA, Itália, Espanha e França. 

Também Boris Johnson foi ‘apanhado’ por esta pandemia. O primeiro-ministro, de 55 anos, passou uma semana no Hospital St. Thomas, em Londres incluindo três noites em cuidados intensivos, onde recebeu oxigénio e necessitou de vigilância médica permanente. 

Depois de receber alta a 12 de abril, o primeiro-ministro gravou uma mensagem de vídeo em que reconheceu que esteve em risco de vida, agradecendo aos profissionais de saúde que o assistiram, destacando os enfermeiros português Luis Pitarma e a neo-zelandesa Jenny McGee.

No seu discurso desta manhã, falou ainda do tempo que esteve ausente da residência oficial e das suas funções.

“Lamento ter-me mantido ausente da minha secretária por muito mais tempo do que gostaria, e quero agradecer a todos aqueles que deram um passo em frente, em particular Dominic Raab, que fez um trabalho fantástico”.

 

“Mais uma vez, quero agradecer ao povo deste país pela coragem que demonstrou e continua a demonstrar. Sei que, a cada dia, este vírus traz mais tristeza e luto às casas de todo o país”, concluiu.

Lara Ferin