O Primeiro-ministro israelita Ehud Olmert considera que o Hamas «endureceu» as suas posições e apresentou «exigências extremistas» nas últimas discussões sobre uma troca de prisioneiros efectuadas no Cairo, indicou segunda-feira à noite a presidência do Conselho num comunicado, escreve a Lusa.

«Nos termos das actas das discussões do Cairo, prova-se que o Hamas endureceu as suas posições (...) e apresentou exigências extremistas, apesar das propostas generosas» apresentadas por Israel, referiu o comunicado.

Mediação dos egípcios

Olmert fez alusão às discussões efectuadas nos últimos dias pelo máximo responsável do Shin Beth, serviço israelita de segurança interna, Youval Diskin, e pelo seu conselheiro Ofer Dekel com o Hamas, com mediação dos egípcios, para obter a libertação do soldado israelita Gilad Shalit, detido pelo Hamas, em troca de prisioneiros palestinianos.

«O Primeiro-ministro convocou uma reunião do Conselho de Ministros para hoje à tarde durante a qual apresentará os detalhes completos relativos aos resultados» das discussões, acrescentou o comunicado.

Este texto foi publicado algumas horas depois de Diskin e Dekel terem dado conta a Olmert das suas entrevistas no Cairo com o Hamas, efectuadas com mediação do chefe dos serviços secretos egípcios, Omar Souleiman.

Segundo a rádio pública, esta reacção oficial de Olmert constitui uma constatação do falhanço das discussões.

Troca por troca?

As discussões visam obter a libertação do soldado franco-israelita, detido há quase 1.000 dias na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, por troca com várias centenas de prisioneiros palestinianos.

Gilad Shalit foi sequestrado em Junho de 2006 por um comando palestiniano perto da Faixa de Gaza.

A negociação refere-se em particular aos prisioneiros membros do Hamas, entre os quais os autores de atentados sangrentos, que Israel aceita libertar por troca com Shalit, bem como o lugar da sua liberação.

O número dois do gabinete político do Hamas, Moussa Abou Marzouk, confirmou que o movimento pediu o alargamento de 450 condenados islamitas para 550 prisioneiros: adolescentes, mulheres ou responsáveis políticos do Hamas.

O governo de Ehud Olmert condicionou a conclusão de um acordo de trégua na Faixa de Gaza bem como a abertura dos pontos de passagem entre Israel e a Faixa de Gaza à libertação de Gilad Shalit.
Redação / PP