As ofensivas de segunda-feira elevaram para 58.000 o número de palestinianos deslocados, após mais de uma semana de confrontos entre milícias e Israel, informou esta terça-feira a Organização das Nações Unidas (ONU).

O Gabinete da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários afirmou que, do número total de deslocados, 42.000 pessoas estão abrigadas em 50 escolas da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, ao longo da faixa de Gaza.

Por seu lado, o Ministério da Saúde do enclave, governado pelo movimento islamista Hamas, denunciou "o bombardeamento deliberado" do laboratório central, que realiza testes de covid-19 e fornece vacinas, para além de prestar cuidados a mulheres grávidas.

O ministério apelou às organizações internacionais para "fornecerem equipamento de proteção pessoal para limitar a propagação da covid-19".

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU apelou esta terça-feira a uma "pausa humanitária" até ser alcançado um cessar-fogo e à abertura da passagem comercial de Kerem Shalom e da passagem da população de Erez - ambas controladas por Israel -, para permitir que as agências humanitárias operem no interior do enclave palestiniano bloqueado.

Escolas, estradas e outras infraestruturas foram afetadas pela escalada da violência e cerca de 76 edifícios e 725 casas sofreram danos importantes, de acordo com a mesma agência.

Os confrontos entre as milícias palestinianas em Gaza e Israel entraram no nono dia, sem progressos no sentido de uma trégua.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se hoje, por videoconferência, para debater a escalada de violência na Faixa de Gaza entre israelitas e palestinianos, uma reunião de emergência convocada pelo chefe da diplomacia europeia.

Controlada pelo movimento radical islâmico Hamas desde 2007, a Faixa de Gaza é um enclave palestiniano sob bloqueio israelita há mais de uma década e onde vivem cerca de dois milhões de pessoas.

A nova escalada no conflito israelo-palestiniano provocou, na Faixa de Gaza, a morte a cerca de 200 palestinianos, incluindo crianças, bem como mais de 1.300 feridos. Em Israel morreram 10 pessoas.

Os atuais combates, considerados os mais graves desde 2014, começaram em 10 de maio, após semanas de tensões entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do Islão, junto ao local mais sagrado do judaísmo.

Ao lançamento maciço de foguetes por grupos armados em Gaza em direção a Israel opõe-se o bombardeamento sistemático por forças israelitas contra a Faixa de Gaza.

O conflito israelo-palestiniano remonta à fundação do Estado de Israel, cuja independência foi proclamada em 14 de maio de 1948.

. / JGR