As alterações climáticas estão a transformar um dos símbolos de Itália numa imensa dor de cabeça. Veneza espera um novo pico de subida das águas no domingo.

O serviço italiano meteorológico avisou que as águas vão voltar a subir este domingo, pelas 12:30, e atingir 160 centímetros. Não é tanto como na terça-feira, é certo, mas é o suficiente para que o patriarca de Veneza tenha canceledo as celebrações deste domingo na Basílica de São Marcos.

Ainda assim, há 53 anos foi pior. A chamada "acqua alta" atingiu o nível histórico de 194 centímetros. Na altura não havia drones para se obter uma ideia global do desastre, que volta a repetir-se meio século depois com as águas a atingirem o máximo de 187 centímetros.

O governo italiano decretou o estado de emergência e calçou as galochas para ver in loco a dimensão das inundações em Veneza.

Entrar em lojas inundadas, ver os mosaicos de São Marcos cobertos de água, ver as praças e as ruas de Veneza transformadas em cursos de água, dá uma ideia do que o mundo está a perceber. É uma coisa que requer uma intervenção forte e abrangente, sem parar quando deixar de ser notícia, como costuma acontecer em casos de desastres naturais", afirmou o ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini

Uma intervenção forte como o projecto chamado "Moisés": um sistema de diques submersos acionados sempre que o nível das águas suba além do normal. Nesta solução, pensada há décadas, as comportas instaladas nas três entradas do Mar Adriático para a lagoa de Veneza sobem impedindo inundações sobre a cidade dos canais. Uma obra mítica que se arrasta e que, se já estivesse finalizada, teria evitado as consequências da acqua alta sobre Veneza.

Margarida Martins