Ivanka Trump foi vaiada em Berlim na sua estreia como "primeira-filha", nesta terça-feira, durante a cimeira do W20, que juntou as líderes femininas do G20, para discutir e promover a igualdade económica no âmbito do encontro das 20 maiores economias do mundo que terá lugar em julho, em Hamburgo.

A plateia alemã não gostou de ver a filha mais velha do presidente dos Estados Unidos, e agora também sua assistente na Casa Branca, elogiar as políticas do pai durante a discussão sobre igualdade de género e empreendedorismo feminino.

Mas ainda antes das vaias, Ivanka, que a seu lado tinha a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e a chanceler alemã, Angela Merkel, cedo percebeu que não seria tratada com paninhos quentes.

Você é a primeira-filha dos Estados Unidos e também assistente do presidente. O público alemão não está familiarizado com o conceito de primeira-filha. Gostaria de lhe perguntar qual é o seu papel e quem está a representar: o seu pai enquanto presidente dos Estados Unidos, o povo americano ou os seus negócios?”, atirou a moderadora Miriam Meckel, diretora da revista económica alemã WirtschaftsWoche.

Ivanka não engoliu em seco.

Certamente não o último. Eu também não estou familiarizada com este papel, é uma situação nova para mim. A administração Trump está quase a fazer 100 dias e tem sido uma notável e incrível jornada. Estou a ouvir e a aprender.”

As críticas surgiram quando disse que o pai era um “grande campeão por apoiar as famílias e permitir-lhes que prosperem”.

“Ouviu a reação das pessoas”, assinalou, de imediato a moderadora, face aos apupos na sala. “Tenho de lhe colocar uma questão. Algumas atitudes do seu pai para com as mulheres levantam dúvidas sobre se ele é um defensor da igualdade para as mulheres”, apontou Miriam Meckel, que não se referiu a nenhum caso concreto.

Tenho conhecimento da crítica dos media, que tem sido perpetuada. Mas as centenas de mulheres que trabalharam para o meu pai são a prova da sua crença e sólida convicção no potencial das mulheres e na sua capacidade para serem tão boas num trabalho quanto os homens!”, defendeu Ivanka, 35 anos, perante a solidariedade do restante painel, numa discussão que decorreu sem mais incidentes.

O papel da filha de Donald Trump na Casa Branca parece ser mesmo o de suavizar as críticas, particularmente no que respeita às mulheres. Recentemente, aquando da visita de Angela Merkel a Washington, em março, Ivanka organizou um encontro entre a chanceler alemã, o seu pai e executivos dos dois países sobre como as empresas podem trabalhar para a igualdade.