A Nova Zelândia vai aumentar o salário mínimo e subir as taxas de impostos para os mais ricos. Estas são algumas das medidas do governo de Jacinda Ardern para combater a crise provocada pela pandemia de covid-19.

Se em 2019 a OCDE já colocava o país como um dos cinco com o salário mínimo mais alto, com mais de 18 dólares à hora (cerca de 15 euros), o país passa agora para um ordenado mínimo de 20 dólares por cada hora trabalhada (perto de 17 euros).

Na prática, a medida aplica um aumento de 1,14 dólares (perto de um euro), e vai beneficiar 175.500 trabalhadores.

Relativamente à tributação, o país decidiu subir o imposto sobre o salário para 39% àqueles que ganhem mais de 180 mil dólares por ano (perto de 150 mil euros), caso de 2% da população neozelandesa. O governo estima que esta medida possa trazer uma receita adicional de 550 milhões de dólares (cerca de 468 milhões de euros) em 2021.

Segundo o jornal The Guardian, muitos dos trabalhadores essenciais que não pararam os serviços durante a pandemia recebem o ordenado mínimo, como é o caso dos funcionários dos aeroportos ou das fronteiras.

Já em 2020 os sindicatos pediam que se aumentasse o ordenado mínimo para 22,10 dólares à hora (18,82 euros) para aqueles funcionários. Apesar de não ver a meta atingida, os representantes reconhecem a medida do governo como positiva: "É muito importante para estes trabalhadores. Parte disto é pelo dinheiro, outra parte é pelo reconhecimento da comunidade pelos sacríficios que estão a fazer", afirmou o secretário do United Union, John Crocker, à TVNZ.

Falando sobre a alteração salarial, a primeira-ministra lembrou que esta é uma medida que vai de encontro ao prometido antes das eleições, apesar de admitir que ainda faltam realizar outros objetivos.

Ainda há muito a fazer, incluindo construir mais casas, melhorar o sistema de saúde, investir na educação e criar mais oportunidades de emprego", afirmou Jacinda Ardern.

O custo da habitação é um dos grandes problemas na Nova Zelândia. Na capital, Auckland, uma casa pode custar 11 vezes mais que o salário médio nacional, o que coloca a cidade como uma das mais caras em todo o mundo.

Este problema acentuou-se durante a pandemia de covid-19, sendo que 22.800 famílias esperam uma solução de alojamento que deve ser providenciada pelo Estado.

Ao longo dos últimos quatro anos, o governo de Jacinda Ardern tem vindo a aumentar o salário mínimo de forma gradual, conseguindo um aumento de 4,25 dólares (cerca de 3,62 euros) por hora desde 2017.

Apesar de ser um dos países que melhor lida com a covid-19, a Nova Zelândia sofre as consequências de uma recessão mundial, que afetam o país nas exportações e no turismo, sendo este último um setor muito importante na atividade económica do arquipélago.

António Guimarães