O líder de um culto religioso na Coreia do Sul, Jaerock Lee, foi hoje condenado a 15 anos de prisão por ter violado pelo menos oito mulheres, algumas das quais o consideravam “um Deus”, informaram as autoridades.

Um tribunal de Seul considerou que as vítimas "foram incapazes de resistir porque estavam sujeitas à autoridade absoluta e religiosa” do réu, líder cristão da igreja Manmin.

Jaerock Lee fundou a controversa igreja em 1982, em Guro, um bairro pobre na capital do país. Começou com 12 seguidores, mas hoje reivindica mais de 130 mil. Os 90 livros do também autor foram traduzidos em múltiplas línguas e vendidos um pouco por todo o mundo.

"Não pude resistir, ele era mais que um rei, era Deus", disse uma das vítimas em declarações a uma cadeia de televisão sul-coreana.

O tribunal considerou Lee Jaerock culpado de violar as vítimas "dezenas e dezenas de vezes" durante um longo período.

"De acordo com os seus sermões, o réu direta ou indiretamente sugeriu que era o espírito santo (...) E as vítimas pensaram que este era um ser divino com poderes divinos", disse o juiz.

O pastor, que contesta as acusações, recebeu o veredicto com os olhos fechados, não demonstrando qualquer emoção perante a centena de fiéis que compareceram à audiência, segundo a agência de notícias France-Presse.

A Coreia do Sul é considerada um terreno fértil para grupos religiosos de ideologias extremas. Muitas igrejas não reconhecidas no país estiveram já envolvidas em casos de prevaricação, coerção, lavagem cerebral e manipulação.