O Presidente do Brasil admitiu, na quinta-feira, voltar ao Partido Social Liberal (PSL), pelo qual foi eleito nas presidenciais de 2018, e que abandonou no ano passado após divergências.

Após ter rompido com o PSL, Bolsonaro anunciou a criação do partido Aliança pelo Brasil, mas reconheceu que este é um processo complicado.

"É difícil formar um partido. Não é impossível. [Mas] não posso investir 100% no Aliança [pelo Brasil]. Eu tenho olhado outros partidos. Já conversei com três partidos, e um foi o [PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, de] Roberto Jefferson. Tem a quarta hipótese, do PSL, que sinalizou uma reconciliação na mesa", declarou Jair Bolsonaro, na habitual transmissão em direto na rede social Facebook.

Bolsonaro foi eleito chefe de Estado pelo PSL em 2018, mas deixou o partido após conflitos com o presidente da formação política, Luciano Bivar. Desde então que Bolsonaro está a tentar constituir o Aliança pelo Brasil.

Contudo, até ao mês passado, a Justiça eleitoral brasileira apenas tinha aceitado 3,2% das assinaturas entregues para constituir o partido, após ter detetado irregularidades, como eleitores inexistentes e pessoas que já morreram.

Das 492 mil assinaturas de eleitores necessárias para que o partido Aliança pelo Brasil se torne realidade, até 13 de julho apenas cerca de 16 mil tinham sido aceites, enquanto mais de 25 mil foram rejeitadas devido a irregularidades, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral.

"Vou conversar com o PSL. Apesar de ter saído, existem uns 43, 44 parlamentares com quem converso. Existem uns oito que não dá para conversar pelo nível, [porque] atacam pessoalmente", acrescentou Bolsonaro, sublinhando que não ia desistir já do Aliança pelo Brasil.

Na transmissão direta semanal no Facebook, o Presidente brasileiro voltou a defender o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, fármaco utilizado em doenças como a malária, mas sem provas científicas da eficácia contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Bolsonaro justificou a produção de cerca de quatro milhões de comprimidos de cloroquina pelo exército, afirmando que só serão vendidos com receita médica, mas que "nada será desperdiçado".

"Alguns estavam a criticar-me, dizendo 'ah, o Presidente mandou o exército fabricar comprimidos'. Não é só o exército. Se cada pessoa tomar meia dúzia, com receita médica, dá 700, 800 mil doses. (...) Nada vai ser deitado fora, tudo vai ser aproveitado de uma forma ou de outra", disse.

O Presidente indicou que a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil teria autorizado a compra de cloroquina com uma receita médica comum.

"Chegou aqui a informação de que o presidente da Anvisa, o almirante Barra, acabou de confirmar a informação sobre a hidroxicloroquina e a ivermectina. Você já pode comprar com uma receita simples, caso seu médico recomende, obviamente", declarou o chefe de Estado, que aproveitou para lamentar as mais de 100 mil mortes causadas pela covid-19 no país.

Bolsonaro, um dos chefes de Estado mais céticos em relação à gravidade da pandemia, contraiu a doença em julho e afirmou que recuperou graças à cloroquina.

O Brasil totaliza 105.463 óbitos e 3.224.876 casos confirmados de covid-19 desde o início da pandemia, sendo o segundo país mais atingido pela doença no mundo, depois dos Estados Unidos.

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