O presidente do Brasil disse esta terça-feira que foi arrojado e implementou medidas para impedir que a pandemia de covid-19 causasse um mal maior à economia do seu país, na abertura dos debates da 75.ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU).

Desde o princípio, alertei, no meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade (…) O nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas económicas que evitaram o mal maior”, disse Jair Bolsonaro, num discurso gravado e transmitido pela ONU.

Bolsonaro também aproveitou o discurso para atacar empresas de comunicação social e jornalistas por problemas ocorridos durante a pandemia ao dizer que uma “parcela da imprensa [media] brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, considerando que “sob o lema “fique em casa” e “a economia a gente vê depois”, quase trouxeram o caos social ao país”.

O chefe de estado brasileiro citou, entre as medidas que considerou favoráveis e que foram tomadas pelo seu Governo, um apoio de emergência em parcelas que somam aproximadamente mil dólares [cerca de 854 euros] para 65 milhões de pessoas, recursos destinados para ações de saúde, apoio a pequenas empresas e a perda de arrecadação dos estados e municípios.

O presidente brasileiro destacou que “estimulou, ouvindo profissionais de saúde, o tratamento precoce da doença, destinou 400 milhões de dólares para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina de Oxford no Brasil”, frisando que “não faltaram, nos hospitais, os meios para atender os pacientes de covid-19”.

As declarações de Bolsonaro a outros líderes globais sobre o sucesso de sua gestão na pandemia contrariam dados do Ministério da Saúde, que colocam o país entre os mais afetados em número de mortes, com 137.272 óbitos registados - atrás apenas dos Estados Unidos -, e o terceiro em número de casos confirmados, com 4,5 milhões de infeções.

O chefe de estado brasileiro também afirmou que “a pandemia deixa a grande lição” de que não se pode “depender apenas de umas poucas nações para a produção de insumos e meios essenciais” à sobrevivência.

Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia”, declarou Bolsonaro, citando uma substância que defende para o tratamento do novo coronavírus, que não tem eficácia contra a doença cientificamente comprovada.

A cloroquina e a hidroxicloroquina [que tem quase a mesma composição] são usadas no tratamento de doenças como a malária e o lúpus, sem efeito comprovado contra o vírus que provoca a covid-19.

O governante brasileiro sempre defendeu a sua aplicação para o tratamento da covid-19 e disse ter tomado ele mesmo a substância quando anunciou estar infetado pelo novo coronavirus, em julho passado.

O Brasil abriu, como é tradicional, as intervenções de líderes na Assembleia-Geral da ONU. Este ano, a organização multilateral celebra 75 anos e o encontro iniciado hoje, que tem a pandemia de covid-19 como pano de fundo, impediu a presença de todos os participantes, levando-a para o formato de videoconferências.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 4,5 milhões de casos e 137.272 óbitos), depois dos Estados Unidos.

/ AG