O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou na quinta-feira que o Brasil está em paz e que ninguém precisa temer as manifestações convocadas pela extrema-direita para 7 de setembro, data comemorativa da Independência do país.

O Brasil está em paz. Falta uma ou outra autoridade ter a humildade de reconhecer que extrapolou. (...) Ninguém precisa temer o 7 de setembro. Estarei aqui na Esplanada [dos Ministérios em Brasília], usarei a palavra e usarei o carro de som na Paulista [famosa avenida de São Paulo], que deve ter dois milhões de pessoas", disse Bolsonaro numa cerimónia no Palácio do Planalto.

Horas antes das declarações do chefe de Estado, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado do Brasil fizeram uma fervorosa defesa da democracia, diante dos protestos que a extrema-direita, apoiante de Bolsonaro, convocou contra esses dois poderes.

Os movimentos ‘bolsonaristas’ pretendem sair às ruas no dia 07 de setembro, quando se comemora a Independência do Brasil, e alguns dos grupos mais radicais pediram uma "intervenção militar" para fechar o Congresso e o Supremo, mas mantendo o líder da extrema-direita no poder.

Diante dos apelos que muitos classificam como "golpe", o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, alertou que "a democracia não se negoceia" e é "um valor já assumido pela sociedade" após a última ditadura, exaltada por Bolsonaro e que vigorou no país entre 1964 e 1985.

Num sentido semelhante manifestou-se também o presidente do STF, Luiz Fux, declarando que "num ambiente democrático as manifestações públicas são pacíficas", embora tenha esclarecido que "a liberdade de expressão não inclui a violência nem ameaças".

Fux também garantiu que “o povo brasileiro jamais aceitará retrocessos” e alertou que o STF “continuará atento e vigilante, neste 7 de setembro, para a manutenção da plenitude democrática”.

Bolsonaro aproveitou para responder diretamente a Fux e convidou as autoridades do Judiciário a acompanhá-lo nos atos do próximo dia 07 de setembro.

"Vi rapidamente o juiz Fux, no início da sessão [do Supremo], dizendo que não pode haver democracia sem respeitar a Constituição. Palmas para o juiz Fux. Realmente não pode ter democracia se não respeitarmos a Constituição em todos os seus artigos. Poderia ser principalmente o artigo 5º. O direito de ir e vir, o direito ao trabalho, o direito a ter uma religião. Como em outro artigo também, a liberdade de expressão", declarou Bolsonaro.

"Quem quiser subir no carro de som, e ver um ou dois milhões de pessoas, e se quiser fazer uso da palavra, eu garanto essa palavra. Não teremos outro grito de independência. Já somos independentes", acrescentou, indicando que os atos serão uma demonstração da democracia, num "mar verde e amarelo", cores da bandeira nacional.

Mais tarde, Bolsonaro usou a sua habitual transmissão em direto nas redes sociais para criticar a proibição de polícias militares de participarem nessas manifestações, afirmando que se trata de "ditadura" e de "um crime".

Os ministérios públicos de São Paulo e do Distrito Federal querem impedir a presença de polícias militares nas próximas manifestações, argumentando que a Constituição veda a participação dos mesmos em atos políticos.

As manifestações, incentivadas pelo próprio Bolsonaro, foram convocadas num contexto de fortes tensões entre o chefe de Estado e Supremo e o Congresso, instituições a que a extrema-direita acusa de atuar como "partidos de oposição" ao Governo.

/ MJC