O Presidente do Brasil afirmou, na quinta-feira, que a operação anticorrupção Lava Jato vai continuar nos estados e nos municípios em que for necessária.

No dia anterior, Jair Bolsonaro tinha declarado ter posto fim à operação por já não existir corrupção no Governo para ser investigada. "Eu acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no Governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, afirmou na quarta-feira.

É impressionante a hipocrisia de muita gente e de grande parte da imprensa. Para o meu Governo não há mais Lava Jato, (porque) não temos notícias de corrupção. Então, para nós a Lava Jato não tem finalidade (...) Agora, para os demais órgãos do Brasil, estados e municípios, vai continuar a funcionar normalmente", salientou Bolsonaro, na transmissão semanal através da rede social Facebook.

Quase diariamente continuamos a ter Lava Jato. Há estados em que o governador já recebeu três visitas da Polícia Federal. (...) O pessoal diz que estou a acabar com a Lava Jato. Quem fala isso ou é desinformado, ou está de má-fé, ou está com dor de cotovelo. Estamos há um ano e dez meses sem corrupção no nosso Governo. Eu sei que é obrigação, mas no passado não tinha isso”, acrescentou.

A explicação de Bolsonaro surgiu na sequência de várias críticas de figuras ligadas à Lava Jato, como o antigo juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

As tentativas de acabar com a Lava Jato representam a volta da corrupção. É o triunfo da velha política e dos esquemas que destroem o Brasil e fragilizam a economia e a democracia. Esse filme é conhecido. Valerá a pena se transformar numa criatura do pântano pelo poder?", escreveu, na rede social Twitter, logo após as declarações de Bolsonaro, na quarta-feira.

Também a própria Lava Jato, no estado do Paraná, reagiu às declarações do Bolsonaro e declarou que as declarações do Presidente brasileiro mostram "desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos (...) e, sobretudo, reforça a perceção sobre a ausência de comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção".

Lançada em 2014, a operação Lava Jato trouxe a público um enorme esquema de corrupção de empresas públicas, como a Petrobras, implicando dezenas de altos responsáveis políticos e económicos. Muitos deles foram detidos e condenados, como o antigo Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra atualmente em liberdade condicional.

Contudo, a conduta da Lava Jato já foi colocada em causa várias vezes, especialmente desde junho do ano passado, num escândalo conhecido como "Vaza Jato”.

Na ocasião, o portal The Intercept Brasil e outros meios da comunicação social divulgaram reportagens baseadas em informações obtidas de uma fonte não identificada e, de acordo com as quais, Moro terá orientado procuradores, indicado linhas de investigação e adiantado decisões, quando era o magistrado responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

/ BC