O Presidente do Brasil disse hoje, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, que "é uma falácia" considerar a Amazónia patrímónio da Humanidade, acrescentando, numa referência direta à França, que houve países que agiram com "espírito colonialista" na sequência dos incêndios que consumiram a floresta tropical.

É uma falácia dizer que a Amazónia é património da Humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo. Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras dos media e portou-se de forma desrespeitosa, com espírito colonialista", sublinhou Bolsonaro. 

"Questionaram aquilo que nos é mais sagrado,a nossa soberania. Um deles, por ocasião do encontro do G-7, ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar por diante essa absurda proposta", disse Bolsonaro, citado pelo Estadão, num discurso que durou cerca de meia hora.

Bolsonaro disse ainda que o seu país "esteve muito próximo do socialismo", o que o colocou numa situação de corrupção generalizada e grave recessão económica.

O meu país esteve muito próximo do socialismo, que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão económica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que foram as nossas tradições", afirmou Jair Bolsonaro na abertura do debate geral da 74.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, que irá decorrer até 30 de setembro com a presença de cerca de 150 chefes de Estado e de Governo, incluindo o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Bolsonaro disse que em 2013 houve "um acordo entre o Governo 'petista' [liderado por Dilma Rousseff, do PT] e a ditadura cubana que trouxe ao Brasil 10 mil médicos, sem nenhuma comprovação profissional".

Estes médicos, segundo o Presidente brasileiro, foram "impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% dos seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais como o de ir e vir, um verdadeiro trabalho escravo, respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU".

E sublinhou que, antes de assumir a chefia do Governo, a 01 de janeiro deste ano, "quase 90 por cento" destes médicos deixaram o Brasil "por ação unilateral do Governo cubano".

Os que decidiram ficar terão de submeter-se "a qualificação médica para exercerem a sua profissão", afirmou o Presidente brasileiro, dizendo que por causa disto o Governo "deixou de colaborar com a ditadura cubana", deixando de enviar todos os anos 300 milhões de dólares (65 milhões de euros).

Jair Bolsonaro pegou no exemplo dos médicos para recordar que "já nos anos 1960 agentes cubanos foram enviados a diversos países para colaborar com a implementação de ditaduras" e que há poucas décadas tentaram desta forma mudar o regime brasileiro e de outros países da América Latina, mas foram derrotados.

Agora, sustentou, também na Venezuela, há cerca de 60 mil agentes que começaram a ser levados pelo antigo Presidente venezuelano Hugo Chávez, a partir de Cuba, e que interferem em todas as áreas daqueles país e que o socialismo está a vencer naquele país.

O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido", acrescentou.