Vários partidos e figuras políticas do Brasil mostraram, esta terça-feira, a sua preocupação com a demissão dos comandantes das três forças militares do Brasil, Exército, Marinha e Aeronáutica, movimento que classificaram de "perigoso" e "inquietante para o país".

A demissão conjunta, e inédita na história do Brasil, ocorre um dia após o Presidente, Jair Bolsonaro, demitir o general Fernando Azevedo e Silva do comando do Ministério da Defesa, numa reforma ministerial que contou com a troca de comando em seis pastas do Governo.

As recentes mudanças no Ministério da Defesa e nos comandos das três Forças inquietam o país. Precisamos do máximo de responsabilidade de todas as autoridades públicas. A Democracia é um valor inegociável. É essencial para a Democracia que as Forças Armadas atuem sempre com independência, e estejam a serviço do Estado brasileiro, jamais a serviço dos interesses de quem quer que seja", escreveu na rede social Twitter o presidente do partido Democratas (centro-direita), António Carlos Magalhães Neto.

Já a deputada do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL, esquerda) Talíria Petrone considerou que o atual Governo brasileiro quer que as Forças Armadas "lambam as botas do Presidente", Jair Bolsonaro, algo que classificou de "deplorável e muito perigoso".

Pela primeira vez desde a redemocratização, um Presidente troca o comando das três Forças Armadas. (...) Não podemos nos perder nesse caos que Bolsonaro busca criar para pavimentar seu caminho contra Constituição e na direção do fascismo. O 'impeachment'[destituição] de Bolsonaro segue sendo o melhor remédio, tanto para a pandemia quanto para salvar nossa frágil e incompleta democracia", avaliou Talíria Petrone.

O diplomata, ex-ministro da Defesa e ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), Celso Amorim, afirmou, esta terça-feira, que a saída do general Fernando Azevedo e Silva da Defesa e de Edson Leal Pujol do comando do Exército mostra o interesse de Jair Bolsonaro em ter a instituição “na mão”.

A saída já concretizada do general Fernando Azevedo, que pode estar ligada a uma saída quase certa de general Pujol, mostra um propósito muito determinado de ter um Exército na mão. Não talvez para dar um golpe, mas talvez para não impedir ações”, afirmou Amorim, em entrevista ao Fórum Onze e Meia.

“Tipo uma invasão do Congresso pela milícia, tipo Capitólio. O próprio Presidente Bolsonaro disse que isso poderia acontecer aqui. (...) Os golpes hoje em dia são um pouco diferentes”, completou o diplomata, que prevê uma possível “agitação das milícias e das polícias”.

O partido NOVO (direita) indicou que o momento é "grave" e que Bolsonaro "não esconde a sua intenção de influenciar politicamente as Forças Armadas e intimidar as demais instituições de Estado e os Poderes da República", apelando a que o Congresso se posicione "à altura".

Quando um ministro da Defesa é demitido por cumprir seu dever e os três comandantes das Forças Armadas decidem pedir demissão em solidariedade é porque não admitem que as Forças Armadas sejam tratadas como parte da disputa política, tal qual pretende o Presidente Bolsonaro", destacou a deputada Perpétua Almeida do Partido Comunista do Brasil (PCdoB, esquerda).

Com a demissão conjunta anunciada, esta tero general Edson Pujol deixa o comando do Exército, o tenente-brigadeiro do Ar Antonio Carlos Bermudês sai do comando da Aeronáutica e o almirante de Esquadra Ilques Barbosa Júnior deixa a liderança da Marinha.

Os ‘media’ brasileiros destacam que a troca de comando no Ministério da Defesa ocorreu porque Bolsonaro pretendia dos militares gestos políticos favoráveis a interesses do Governo, como por exemplo, um apoio à ideia de decretar estado de defesa para impedir confinamentos pelo país na pandemia de covid-19.

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/ NM