Cerca de 30 pessoas manifestaram-se hoje na Praça D. Pedro IV, em Lisboa, contra o modo como o executivo brasileiro, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro, está a gerir o país, e por uma democracia “que está a ser rasgada”.

Nós, os brasileiros, podíamos estar como a maioria dos países, preocupados com a pandemia, mas temos de nos preocupar com a pandemia" e com Bolsonaro, disse à agência Lusa Stefani Costa, de 31 anos, natural de São Paulo e imigrada em Portugal há três, mas “sempre de olho a tudo o que acontece” no Brasil.

O grupo de cidadãos brasileiros que participou no protesto adornou a Praça D. Pedro IV com uma cruz feita com fita-cola preta em cima de uma bandeira do Brasil, uns quantos cartazes e uma faixa branca, estendida na calçada portuguesa, na qual era possível ler “Ditadura nunca mais", “Bolsonaro genocida do povo brasileiro” e “Nossa Amazónia é sagrada”.

Stefani Costa sublinhou que o protesto de hoje, organizado pelo núcleo de Lisboa do Partido dos Trabalhadores (PT), tem como propósito pedir “apoio à comunidade lusófona, não só a Portugal” para denunciar o “comportamento autoritário” de Jair Bolsonaro, um governante que “não tem qualquer capacidade de administração” do país.

Bolsonaro “não é um político com capacidade de governar, é um político que foi eleito à conta de ‘fake news’ [notícias falsas]”, acrescentou.

Um a um, os manifestantes gritavam para um microfone palavras de ordem contra o Presidente brasileiro. A pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus, a desflorestação da Amazónia, os indígenas, “que estão a ser massacrados”, e o aumento das desigualdades no país constituíram as principais críticas.

No final, gritavam em uníssono “fora Bolsonaro”.

A nossa democracia está a ser rasgada, destruída”, disse Marcos Pinheiro, de 62 anos e a viver em Portugal nos últimos 31.

O manifestante, que empunhava um pequeno cartaz, no qual era possível ler “#ForaBolsonaro”, considerou que “esta manifestação é um eco de palavras e de socorro pela democracia no Brasil”.

Entre as inúmeras críticas ao chefe de Estado, a Amazónia teve maior destaque: “Está a ser destruída, vendida a preço de sucata.”

Na opinião do ativista, Bolsonaro “não respeita ninguém” e a única coisa que respeita é a sua família, por isso veio manifestar-se ao Rossio, na esperança de “reaver todas as coisas” que o Governo atual retirou à população brasileira, mas admitiu que “vai ser um processo difícil”.

Até terça-feira, o Brasil tinha registado um total 3.669.995 contágios pelo SARS-CoV-2 e mais de 116 mil óbitos.

Marcos Pinheiro considerou que o Governo de Bolsonaro “perturba a atuação dos profissionais de saúde” e, por essa razão, advogou que o chefe de Estado é responsável pelo “número gigantesco” de infeções e mortes no país.

O coordenador do núcleo de Lisboa do PT, Pedro Prola, explicou que a manifestação de hoje, à semelhança de outros pontos do planeta, tem como objetivo reunir a “solidariedade da comunidade internacional, para recuperar o processo democrático [no país] e continuar a denunciar Bolsonaro”.

Já Vera Anjos, que fez questão de dizer não ser filiada no PT, veio manifestar-se por acreditar que o Presidente “está a aumentar as desigualdades sociais” no Brasil.

Não dá para continuar a tolerar tanta perversidade”, vincou.

Os partidos portugueses Bloco de Esquerda, PCP e o Partido Ecologista “Os Verdes” também se fizeram representar nesta ação de protesto.

Contudo, os manifestantes não esconderam a desilusão por não haver mais forças políticas representadas.

É um momento de união, todo o mundo que não se alinha com esse discurso ditatorial deveria estar aqui a apoiar. Até porque o Brasil e Portugal são muito próximos”, lamentou Stefani Costa.

Opinião partilhada por Veja Anjos, para quem a manifestação de hoje “não é suficiente” e os “portugueses têm de aderir” para impedir o atual executivo “de terminar o mandato”.

/ JGR