O ministro da Casa Civil brasileira disse temer pela vida do presidente do país e acrescentou que está a tentar convencer Jair Bolsonaro a receber a vacina contra a covid-19.

A declaração do ministro e general Luiz Eduardo Ramos foi divulgada na terça-feira pela rádio CBN e foi prestada durante uma reunião do Conselho de Saúde Suplementar, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Estou envolvido pessoalmente, tentando convencer o nosso Presidente [a receber a vacina], independente de todos os posicionamentos. Nós não podemos perder o Presidente para um vírus desse. A vida dele, no momento, corre risco, ele tem 65 anos [tem 66]", desabafou Ramos, que não sabia que a reunião estava a ser transmitida em direto nas redes sociais.

Bolsonaro, um dos chefes de Estado mais céticos em relação à gravidade da pandemia em todo o mundo, já mudou de posição sobre a vacinação várias vezes.

O chefe de Estado já criticou a vacinação contra a doença, já disse que não queria receber a vacina e já admitiu a possibilidade de ser vacinado, na condição de ser o “último brasileiro” a tomar a vacina.

Naquela reunião, o general Ramos, que estava acompanhado pelos ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Economia, Paulo Guedes, confidenciou ter sido vacinado contra a covid-19, em Brasília.

Tomei escondido, porque a orientação era para não criar caso, mas vazou. Eu não tenho vergonha, não. Tomei e vou ser sincero: como qualquer ser humano, eu quero viver. E se a ciência está dizendo que é a vacina, como é que eu me posso contrapor”, questionou Ramos.

Em comunicado enviado ao jornal Folha de S. Paulo, o Ministério da Casa Civil explicou que o ministro foi vacinado em 18 de abril com a primeira dose da vacina da AstraZeneca "como cidadão comum, no seu carro e enfrentando fila como qualquer brasileiro".

"Ao dizer, de maneira informal, que teria tomado a vacina 'escondido', o ministro referia-se ao facto de ali estar um dos mais de 38 milhões de brasileiros que já se vacinaram e não um ministro de Estado", acrescentou a nota.

"O ministro, portanto, não tomou a vacina de forma escondida e nunca foi orientado a não relatar tal facto. Apenas não quis fazer desse momento um ato político", concluiu.

A mesma reunião foi marcada por uma polémica declaração do ministro da Economia que, sem saber que estava a ser gravado, afirmou: “o chinês inventou o vírus e a vacina dele é menos efetiva que a do americano. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa (...) Está aqui a vacina da Pfizer. É melhor que as outras”.

Ao ser informado que a reunião estava a ser gravada e transmitida em direto nas redes sociais, Paulo Guedes pediu para que o encontro não fosse publicado, indicou a imprensa local.

O Brasil enfrenta atualmente a pior fase da pandemia, com 395.022 óbitos e 14.441.563 infeções.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.122.150 mortos no mundo, resultantes de mais de 147,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.970 pessoas dos 834.991 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ RL