O ex-ministro da Justiça brasileiro Sergio Moro foi intimado esta sexta-feira pela Polícia Federal a depor como testemunha no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga a organização de atos antidemocráticos.

A informação foi divulgada pelo advogado de Moro, Rodrigo Sánchez Rios, num comunicado enviado à imprensa.

A audição é motivada em razão de ele (Moro) ter ocupado, à época dos factos, a titularidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública", esclareceu a defesa no comunicado, acrescentando que o ex-ministro e antigo juiz será ouvido em 2 de outubro, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Em causa está um inquérito aberto em abril, por determinação do juiz do STF Alexandre de Moraes e a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) do Brasil, para apurar a organização de manifestações contra a democracia no país, que pediram o encerramento do Supremo e do Congresso, assim como uma intervenção militar.

Nesse sentido, a polícia brasileira cumpriu vários mandados de busca e apreensão na residência de aliados do Presidente, Jair Bolsonaro, com o intuito de aceder a eventuais provas sobre a organização de protestos antidemocráticos, assim como quem os financia.

Entre os alvos das ações policiais estavam deputados federais, senadores e diversos outros apoiantes do líder do executivo, como empresários, ‘bloggers’ e 'youtubers'.

As investigações da PGR consideram que aliados políticos de Jair Bolsonaro usaram dinheiro público para divulgar atos antidemocráticos.

No mesmo caso, também o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, filhos do Presidente do país, foram intimados a depor, na condição de testemunhas.

Ouvido na quinta-feira, Carlos Bolsonaro negou que tenha produzido ou publicado conteúdo que impulsionasse atos antidemocráticos contra o STF e o Congresso Nacional.

O vereador indicou também que não participa na política de comunicação do Governo federal, mas admitiu que tem contacto com as contas do pai nas redes sociais, segundo a imprensa brasileira.

A mais alta instância do poder judicial brasileiro analisa ainda a divulgação de notícias falsas e ameaças a juízes por apoiantes de Bolsonaro.

/ AG