Uma equipa de especialistas da ONU, incluindo o português Duarte Nuno Vieira, começou esta segunda-feira na Turquia uma investigação sobre o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, que ocorreu a 2 de outubro, no consulado saudita em Istambul.

De acordo com a televisão CNNTürk, a delegação, que chegou a Ancara, é liderada pela relatora especial Agnés Callamard e composta ainda pela advogada Helena Kennedy e pelo médico legista Duarte Nuno Vieira.

Enquanto especialista forense, o ex-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal Duarte Nuno Vieira integrou já diversas missões internacionais em cerca de 30 países da Europa à América Latina, Ásia e África, no âmbito dos direitos humanos, sob a égide de instituições como a ONU, Cruz Vermelha Internacional, Comissão Europeia ou Amnistia Internacional, entre outras.

Esta equipa da ONU está no terreno até ao dia 3 de fevereiro para recolher detalhes das circunstâncias da morte do jornalista saudita.

Embora não tenham sido ainda revelados os detalhes sobre a agenda da visita, espera-se que a relatora especial da ONU para Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias, seja recebida pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e também que se reúna com o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavusoglu.

Além disso, a delegação, que segundo um comunicado do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos vai tentar estabelecer "a natureza e o alcance da responsabilidade de Estados e de indivíduos no assassínio", também se deslocará a Istambul, o local dos eventos.

O objetivo também é "identificar como os Estados podem fortalecer o cumprimento dos seus compromissos internacionais para proteger o direito à vida, prevenir violações e garantir as suas responsabilidades", declarou Callamard antes de partir para a Turquia, segundo a CNNTürk.

O governo turco criticou as autoridades sauditas por atrasarem a investigação do caso e pediu, mais de uma vez, uma investigação internacional.

Na semana passada, Çavusoglu disse que havia chegado a hora de abrir uma investigação liderada pela ONU e que Erdogan havia ordenado os preparativos pertinentes.

Espera-se que os resultados sejam apresentados numa sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em junho.

Jamal Khashoggi, um colunista do jornal norte-americano The Washington Post, era um crítico aberto da monarquia de seu país e foi alegadamente morto e desmembrado por agentes sauditas, um crime que desencadeou uma vaga de indignação e condenação da comunidade internacional.

Onze pessoas foram indiciadas no caso deste assassínio, num processo aberto no início deste mês na Arábia Saudita, e a procuradoria pediu a pena de morte para cinco dos acusados.