O jornalista da Arábia Saudita Jamal Khashoggi, morto em outubro do ano passado, foi vítima de uma “execução deliberada e premeditada”. Estas são as conclusões de uma relatora especial das Nações Unidas, que faz a primeira investigação independente à morte do jornalista.

No relatório de Agnes Callamard, divulgado esta quarta-feira, esta investigadora da Nações Unidas para execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias diz que a Arábia Saudita é responsável, à luz da lei internacional, pelo “assassínio extrajudicial” de Khashoggi, escreve a CNN.

O jornalista morreu depois de ter entrado no consultado saudita, em Istambul, na Turquia, em outubro de 2018. Riade negou, inicialmente, qualquer conhecimento acerca do incidente, mas oficiais do país vieram mais tarde acusar um grupo do círculo íntimo do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman da morte de Khashoggi.

O procurador geral da Arábia Saudita também confirmou mais tarde que Khashoggi foi morto num homicídio premeditado.

No que diz respeito à ligação do príncipe herdeiro a esta morte, a investigadora não faz quaisquer conclusões. Porém, Callamard diz no documento de 101 páginas que há “evidências credíveis que merecem investigação por parte das instâncias apropriadas” bem como para perceber se o "limiar de responsabilidade criminal foi cumprido".

A relatora destaca que Khashoggi estava “totalmente consciente do poder do príncipe herdeiro” e chegou a demonstrar receio do que poderia acontecer-lhe caso voltasse ao reino.

Riade insiste que nem o príncipe nem o rei Salman sabiam da operação que resultou na morte do jornalista. Contudo, oficiais norte-americanos dizem que a missão, que envolveu 15 homens enviados da capital saudita, não podia ter sido levada a cabo sem autorização de bin Salman.

De acordo com relatos anteriores, o corpo de Khashoggi terá sido desmembrado. Nunca foi encontrado.

Agnes Callamard diz que foram encontradas provas credíveis de que o local do crime foi “minuciosamente, de forma forense até, limpo”. A relatora conclui que a investigação saudita “não foi conduzida de boa fé e que isso pode configurar uma obstrução à justiça”.

O documento expõe dezenas de recomendações e pede ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para “exigir” avanços na investigação criminal do caso.