Os suspeitos do homicídio do jornalista saudita Jamal Khashoggi serão processados na Arábia Saudita, declarou este sábado o ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Riade, depois de a Turquia ter pedido a extradição dos alegados envolvidos no crime.

Sobre a questão da extradição, estes indivíduos são cidadãos sauditas, foram detidos na Arábia Saudita, a investigação está a ser conduzida na Arábia Saudita e os suspeitos serão processados na Arábia Saudita", disse Adel al-Jubeir numa conferência sobre segurança em Manama, no Bahrein.

O governante afirmou que o protesto global por causa da morte de Khashoggi tornou-se "histérico", prometendo que a Arábia Saudita está determinada a levar os criminosos à justiça.

Esta questão tornou-se bastante histérica", sublinhou Adel al-Jubeir.

O ministro saudita lembrou que há as pessoas que já atribuem a culpa à Arábia Saudita antes mesmo de a investigação ser concluída e disse que o país já deixou "muito claro que os criminosos serão responsabilizados".

Jamal Khashoggi, jornalista e opositor saudita exilado nos Estados Unidos da América, que escrevia para o Washington Post, foi assassinado a 2 de outubro, durante uma deslocação ao consulado saudita em Istambul para tratar de documentação relativa ao seu casamento com uma cidadã turca.

A Procuradoria turca avançou, na sexta-feira, com procedimentos administrativos para a extradição dos 18 sauditas suspeitos de envolvimento na morte do jornalista Jamal Khashoggi no consulado do seu país, em Istambul.

O Ministério Público de Istambul entregou os nomes das 18 pessoas suspeitas de “envolvido no homicídio premeditado” do jornalista saudita ao Ministério da Justiça, que por sua vez os vai enviar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, para que o pedido de extradição seja enviado a Riade através dos canais oficiais.

No dia 20 de outubro, as autoridades sauditas anunciaram que 18 pessoas foram detidas - 15 membros de um comando saudita suspeito de matar o jornalista, além de três funcionários do consulado - e que estes seriam julgados.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já tinha pedido que o julgamento desses suspeitos ocorresse em Istambul e não na Arábia Saudita, apesar do crime ter sido cometido por sauditas, no consulado saudita.

"O pedido de extradição é motivado pelo fato de Jamal Khashoggi ter sido morto na Turquia por cidadãos sauditas que fizeram a viagem para essa finalidade específica", disse um alto funcionário turco, sob anonimato, acrescentando que o “sistema legal turco está mais apto a fazer justiça neste caso”.

Depois de terem negado, inicialmente, a morte do jornalista, as autoridades sauditas, sob pressão internacional, avançaram várias versões antes de declararem na quinta-feira passada que, com base em informações fornecidas pela Turquia, os suspeitos do assassínio de Khashoggi tinham feito um ato “premeditado”, mas sem conhecimento do poder saudita.