O procurador-geral da Arábia Saudita admitiu esta quinta-feira que a morte do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime saudita, foi "premeditada", após receber informações das autoridades turcas, que integram uma comissão conjunta de investigação.

O Ministério Público recebeu informações do lado turco através do Grupo de Trabalho Conjunto entre o reino da Arábia Saudita e a República Turca, indicando que os suspeitos do caso de Khashoggi premeditaram o crime", adiantou o procurador-geral Shaikh Suood bin Abdullah Al Mo'jab, citado pela agência de informação estatal de Riade.

O procurador acrescentou ainda que "o Ministério Público continua as suas investigações, de acordo com os últimos resultados", visando "completar o curso da justiça".

A nova posição saudita surge após a chegada à Turquia de Gina Haspel, diretora da CIA, os serviços de informações norte-americanos, enviada pelo presidente Donald Trump, que terá já ouvido as gravações do momento da morte de Khashoggi, a 2 de outubro, que os investigadores turcos possuirão.

A tese da investigação turca dá conta que Khashoggi terá ido ao consulado para obter documentação necessária para casar com a noiva, uma cidadã turca. Terá sido aí eliminado por um comando de 15 agentes sauditas, que terão desmembrado o corpo.

Inicialmente, a Arábia Saudita defendeu que Jamal Khashoggi, colunista do jornal norte-americano The Washington Post, tinha estado no consulado em Istambul e saído de lá pelo seu próprio pé. Mais tarde, no final da passada semana, os sauditas assumiram que o jornalista morrera no interior da missão diplomática, na sequência de uma briga.

Alvo de críticas e condenações, até da parte de países aliados, como os Estados Unidos, os sauditas efetuaram 18 detenções de presumíveis implicados e demitiram cinco altos funcionários do regime.

"Crime odioso”

Suspeito de ter ordenado ou tido conhecimento da execução do jornalista, algo que o poder saudita nega, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman veio a terreiro, na quarta-feira, considerar que o assassínio do jornalista foi um “crime odioso”, que Riade está a cooperar com a Turquia e que “a justiça prevalecerá”.

Aqueles que estão por detrás deste crime terão de prestar contas (...) e, no final, a justiça prevalecerá”, reforçou o príncipe, acrescentando que não existirá “qualquer rutura nos laços com a Turquia”.

Não é uma morte, é um assassínio. Admitimo-lo, estamos lidando com isso. Como tal, seremos transparentes e mostraremos aos nossos aliados e amigos nos Estados Unidos, que o reino está tão infeliz com o que tem aconteceu como qualquer outra pessoa. Na verdade, estamos mais infelizes porque mancharam o nome do reino", acrescentou ainda, em declarações à televisão CNN, o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid Al Falih.