Javier Darroux Mijalchuk tinha apenas quatro meses quando o seu pai e a sua mãe, grávida na altura, desapareceram na Argentina, raptados por agentes secretos que serviam o regime ditatorial. Quarenta anos depois, Javier descobriu finalmente a sua verdadeira identidade e reencontrou a família biológica.

Os pais biológicos de Javier, Juan Manuel Darroux e Elena Mijalchuk, foram raptados por agentes secretos em Buenos Aires, no ano de 1977. Desapareceram sem deixar rasto. Foi encontrado abandonado na rua, perto da Escola Mecânica das Forças Armadas, onde funcionava o maior centro clandestino de detenções do regime militar.

Javier acabou, como tantos “netos da ditadura”, que vigorou entre 1976 e 1983, adotado por uma outra família, que não conhecia a sua história. O argentino sabia que era adotado, mas foi já tarde, em 2006, que começou a ter interesse em descobrir o seu passado, a sua história. 

Lá no fundo, eu achava que meus pais poderiam ter desaparecido da ditadura militar. Mas eu estava bem e não estava interessado em comçar buscas que iram gastar a minha energia em vão", explicou, em declarações aos jornalistas.

O argentino pediu ajuda à organização de direitos humanos "Abuelas Plaza Mayo" (Avós Praça de Maio), que localiza crianças e dissidentes que morreram ou desapareceram durante a ditadura.

Agora, Javier conseguiu descobrir a sua verdadeira identidade e encontrar a sua família biológica, neste caso o tio, Roberto Mijalchuk.

Tio que não parou de o procurar nas últimas quatro décadas. E que até manteve ativa uma linha telefónia na esperança de obter informações sobre a irmã e o sobrinho.

A restituição da minha identidade é, para mim, um tributo aos meus pais, um reconforto para a alma, um símbolo de memória, verdade e justiça”, afirmou, na conferência de imprensa que deu ao lado do tio e da presidente da associação "Abuelas Plaza Mayo", Estela de Carlotto.

Javier foi a 130.ª pessoa a ser identificada pela organização, que recorreu a testes de ADN.

O que aconteceu aos pais após o seu desaparecimento permanece uma incógnita. Agora que os descobriu, Javier diz que vai tentar apurar mais informação sobre o que se passou.

De acordo com os dados disponíveis, cerca de 30.000 pessoas foram assassinadas pela junta militar argentina.

A associação presidida por Estela de Carlotto estima que cerca de 500 bebés tenham sido retirados às mães, a maioria opositoras ao regime, que deram à luz em centros clandestinos de detenção e tortura e que nunca reapareceram.