Advogados norte-americanos e o FBI estão a pressionar o príncipe André para revelar aquilo que testemunhou na mansão de Jeffrey Epstein, após a recente detenção de Ghislaine Maxwell, antiga namorada do empresário, por acusações de tráfico sexual.

Ele tem uma história para contar”, afirmam Gloria Alfred e Spencer Coogan, representantes legais das alegadas vítimas de Epstein. Os advogados esperam que o Duque de Iorque possa mudar de ideias e colaborar com a justiça norte americana para dar informações sobre Maxwell.

Também o FBI comentou essa possibilidade na conferência de imprensa onde os procuradores detalharam as alegações enfrentadas por Maxwell, sublinhando que, para André, “as portas se mantinham abertas”.

Príncipe André seria muito bem-vindo se viesse falar connosco, gostaríamos de ter o benefício do seu testemunho”, afirmou Audrey Strauss, procurador-geral do distrito sul de Nova Iorque.

O Duque de Iorque sempre se recusou a colaborar voluntariamente com a justiça norte americana. No início do ano, procuradores ligados ao caso afirmaram que o membro da realeza britânica tinha fechado “todas as portas” a uma possível cooperação, depois de ter garantido o contrário.

André, que abdicou das suas funções reais na sequência do escândalo, manteve uma relação de amizade com Epstein durante vários anos. O príncipe admitiu que frequentava as casas do milionário norte-americano e que visitou a sua ilha particular. Em 2010, ambos foram vistos a passear no Central Park, em Nova Iorque, já depois de Epstein ter estado preso por prostituição de menores.

Maxwell terá alegadamente ajudado Epstein a montar uma rede de tráfico de raparigas adolescentes para terem relações sexuais com indivíduos ricos e influentes. Uma dessas vítimas, Virginia Roberts Giuffre, terá sido coagida por Ghislaine e Epstein a ter relações sexuais com o príncipe André.

Numa entrevista à BBC, Virginia, que era menor à data do encontro com o príncipe, deu novos detalhes sobre o caso, referindo uma viagem a Londres, em 2001, na qual terá sido levada por Jeffrey Epstein, no seu jato privado, para conhecer o duque de York.

Atualmente com 35 anos, Virginia relatou como foi apresentada ao príncipe e como, juntamente com Epstein e a sua então namorada, Ghislaine Maxwell, chegou a Londres. Disse que o príncipe lhe pediu que dançasse, antes de ser forçada a ter relações sexuais com ele.

O multimilionário Jeffrey Epstein tinha uma relação próxima com o antigo presidente democrata Bill Clinton, que por várias vezes colocou à disposição do amigo o seu avião privado, onde alegadamente também seriam transportadas as menores. Também seria conhecido de Donald Trump quando este era empresário, antes de assumir a presidência dos Estados Unidos.

Epstein foi detido e enforcou-se na prisão. Recorde-se que as circunstâncias da sua morte estão envoltas em controvérsia, uma vez que Epstein tinha sido transferido para uma ala da prisão federal de Manhattan, considerada uma das mais seguras dos Estados Unidos, onde deveria estar sob permanente observação.

Dois guardas prisionais encarregados de vigiar a cela do multimilionário, na noite em que se matou, foram acusados de falsificação de registos.

De acordo com a BBC, os guardas tinham de verificar a cela a cada 30 minutos, mas nessa noite não o fizeram. E, para encobrir essa falha, falsificaram documentos de registo.

Uma autópsia independente, pedida pelo irmão de Epstein, revelou também que os ferimentos que causaram a sua morte seriam “extremamente difíceis” de serem causados pelo próprio. O relatório, divulgado pelo The New York Times, afirma que "tudo aponta para homicídio", contrastando com o relatório inicial