O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, condenou esta quarta-feria “firmemente” o desvio de um avião civil pela Bielorrússia e apelou à “unidade da comunidade internacional” na resposta ao regime de Minsk.

A comunidade internacional necessita de estar unida e isso sublinha a importância de NATO e UE trabalharem em conjunto”, sublinhou Stoltenberg no decurso de uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, António Costa, e numa referência ao incidente de domingo.

 

Condenamos firmemente a aterragem forçada de um avião civil, que se deslocava de uma capital da NATO, Atenas, para outra, Vílnius”, indicou.

 

É absolutamente inaceitável e também revela até onde pode ir o regime de Minsk na repressão às forças democráticas no seu país. Não é apenas um ataque aos direitos democráticos, mas também ao importante papel dos media independentes”.

O chefe da NATO (sigla em inglês para Organização do Tratado do Atlântico Norte), que hoje iniciou uma visita oficial de dois dias a Lisboa, solidarizou-se com as sanções impostas pela União Europeia (UE) “e de todos os aliados da NATO” que adotaram atitude similar, e prometeu o prosseguimento das pressões “para uma investigação internacional independente face a esta ultrajante incidente”, como referiu.

Stoltenberg definiu o desvio do avião como um “sequestro de Estado, que afetou cidadãos de Estados-membros da NATO”, e considerou a decisão “um ataque do regime de Minsk aos direitos democráticos fundamentais e aos media independentes”.

Saúdo as sanções decididas pela União Europeia (UE) e a exigência da libertação imediata do jornalista Roman Protasevich e da sua companheira, Sofia Sapega. E a libertação de todos os restantes presos políticos, incluído da Union of Poles [União dos Polacos], uma organização que representa a minoria polaca no país”, insistiu.

Roman Protasevich, de 26 anos, antigo chefe de redação do influente ‘media’ da oposição bielorrusso Nexta foi detido no domingo após a chegada do avião a Minsk. Desde novembro que era considerado um “terrorista” pelas autoridades da Bielorrússia.

Sofia Sapega, 23 anos, foi detida em simultâneo com Protasevich.

O avião, que efetuava a ligação Atenas-Vilnius, foi desviado para Minsk sob pretexto de um alerta de bomba que se revelou falso.

Exilado na Lituânia, Protasevich é perseguido na Bielorrússia por “organização de tumultos massivos”, um crime passível de 15 anos de prisão.

Na segunda-feira, os dirigentes da União Europeia decidiram interromper as ligações aéreas com a Bielorrússia e exortaram as companhias aéreas europeias a não sobrevoarem o seu espaço aéreo, apelando à Bielorrússia para libertar o jornalista e Sofia Sapega. Estão ainda a preparar um novo pacote de sanções contra Minsk.

Na conferência de imprensa conjunta, Stoltenberg também elogiou Portugal na qualidade de “valioso aliado, nação atlântica no coração da nossa aliança atlântica”, com presença em vários cenários de conflito, incluindo Afeganistão e Iraque, e África.

No encontro com António Costa, na residência oficial do primeiro-ministro, foram ainda abordados diversos temas de atualidade, incluindo a cimeira da NATO de junho destinada a “preparar a Aliança para futuro, quando enfrentamos numerosos desafios”, e a necessidade de “tomar decisões ambiciosas e demonstrar o nosso compromisso no projeto transatlântico”.

A situação no Afeganistão também foi analisada, que quando a NATO prossegue a retirada das suas tropas, juntamente com as forças dos Estados Unidos, e que ficará consumada em 11 de setembro.

Vamos reforçar a parceria com o Governo afegão, que inclui treino continuado e assistência financeira às forças afegãs, e apoio a todos os esforços para uma paz duradoura”, prometeu.

O “combate ao terrorismo no Sahel” também foi tema de discussão, incluindo “o compromisso de Portugal nesta região, de importância estratégica para a NATO”, incluindo a colaboração e apoio ao Sahel G5 (uma força militar de países da região), e à Mauritânia, “nossa parceira na NATO”.

Numa breve referência no combate à pandemia de covid-19, Stoltenberg referiu ainda a “necessidade de se estar preparado para uma crise” e elogiou o envolvimento das Forças Armadas dos países aliados “no apoio aos esforços civis”.

O secretário-geral da NATO visita esta tarde a Escola de Comunicações e Sistemas de Informação da NATO, em Oeiras, e assiste na quinta-feira aos exercícios militares “Steadfast Defender 2021”, que decorrem na costa portuguesa, antes de participar na reunião de ministros da Defesa da UE.

/ CE