O líder do principal partido da oposição do Reino Unido, o Trabalhista, Jeremy Corbyn, apresentou, esta segunda-feira, no parlamento uma moção de censura à primeira-ministra, Theresa May.

Corbyn divulgou a sua decisão depois de May ter anunciado que o parlamento só votaria a separação da União Europeia na semana de 14 de janeiro, mais de um mês depois do que estava previsto inicialmente.

Uma eventual derrota da chefe do governo vai aumentar a pressão sobre ela. Mas, ao contrário de uma moção de censura ao governo, um voto sobre May não tem o poder de derrubar o governo e forçar a realização de eleições. Ainda não foi marcada a data desta votação.

A votação sobre os termos da saída do Reino Unido da União Europeia, o designado ‘Brexit, foi anunciada esta segunda-feira por May para a semana que começa em 14 de janeiro, mais de um mês depois do que se admitiu.

A votação deveria ter ocorrido na semana passada, mas May cancelou-a à útima hora, quando se tornou claro que o acordo para o ‘Brexit’ seria rejeitado.

May está a procurar obter garantias adicionais por parte da União Europeia, para ganhar o apoio dos deputados eurocéticos, mas Bruxelas já assegurou que é impossível qualquer renegociação.

A chefe do governo britânico disse hoje aos deputados da Câmara dos Comuns, que o debate sobre o tema vai ser reiniciado em 07 de janeiro, quando o parlamento reabrir depois das férias do Natal, adiantando que a votação será feita na semana seguinte.

Entretanto, o Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em Inglês), da Irlanda do Norte, cujos 10 deputados permitem a May governar em minoria, pediu hoje mais “clareza” quanto às concessões que este espera obter da UE para melhorar o ‘Brexit’.

O número dois do DUP, Nigel Doods, fez este pedido depois de May ter estado na Câmara dos Comuns.

Precisamos de clareza por parte da primeira-ministra para saber exatamente o que se preparar em relação a questões-chave como a vinculação legal indefinida que tem a salvaguarda”, afirmou o dirigente unionista.

Doods reiterou a recusa do seu partido ao acordo subscrito por Londres e Bruxelas, devido à inclusão da designada salvaguarda, concebida para manter aberta a fronteira entre as duas Irlandas, depois do ‘Brexit’ agendado para 29 de março.

A garantia estabelece que, se não houver um acordo comercial bilateral no final do período de transição, em dezembro de 2020, todo o Reino Unido forma uma união aduaneira, mas a província britânica da Irlanda do Norte terá um estatuto especial, mais alinhado com o mercado único europeu, para evitar a chamada fronteira dura com a República da Irlanda.

Para o DUP, esta previsão ameaça a relação da região com a Grã-Bretanha, que inclui a Escócia, o País de Gales e a Inglaterra, e ameaçou recusar o acordo, quando May o colocar a votação.