Rachel Levine, escolhida pelo presidente eleito norte-americano Joe Biden para o cargo de secretária-adjunta da Saúde, poderá tornar-se na primeira governante abertamente transgénero a ser confirmada pelo Senado do país.

A escolha de Levine, professora universitária de pediatria e psiquiatria, foi anunciada hoje por Biden, na véspera da sua investidura como 46.º presidente dos Estados Unidos. 

Levine “trará liderança firme e a experiência crucial de que todos precisamos para guiar as pessoas nesta pandemia, independentemente da sua raça, religião, orientação sexual, identidade de género ou limitação física”, disse Biden.

A escolha de Levine, atualmente secretária para a Saúde do Estado da Pensilvânia, “é histórica”, sublinhou.

Ex-diretora adjunta do departamento de pediatria do hospital universitário Penn State Hershey Medical Center, na Pensilvânia, Levine será ainda, segundo a imprensa norte-americana, a principal responsável do Governo para políticas transgénero.

No seu discurso de vitória em novembro de 2020, Biden havia já sido o primeiro Presidente eleito a incluir os cidadãos transgénero nos agradecimentos. 

Elementos da equipa de Biden citados pela imprensa norte-americana afirmaram que Levine deverá tornar-se na primeira responsável federal abertamente transgénero a ser confirmada pelo Senado nas funções para que foi nomeada pelo presidente.

Esta semana, o Partido Democrata, a que Biden pertence, passará a controlar o Senado, depois de já este mês ter eleito dois senadores na segunda volta das eleições no Estado da Georgia.

A política do novo Presidente para os cidadãos transgénero contrasta com a do seu antecessor, Donald Trump, que em 2017 proibiu que aqueles servissem nas Forças Armadas, alegando os custos médicos e perturbações no funcionamento, tendo a questão subido ao Supremo Tribunal em 2019.

A administração cessante procurou também excluir indivíduos transgénero de organismos contra a discriminação laboral, alegando que uma lei de 1964 proibindo a discriminação de natureza sexual, apenas se aplica a homens ou mulheres e não a minorias de género. 

Em junho de 2020, o Supremo Tribunal recusou esta leitura, determinando que a proteção oferecida pela lei também se estende a estas minorias.

/ AG