O presidente dos Estados Unidos fez esta segunda-feira o primeiro discurso numa Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Joe Biden dirigiu-se à audiência lembrando a "pandemia devastadora", que só no seu país fez quase 700 mil mortos.

Para o responsável, a dor partilhada entre Estados é um "lembrete" para que todos os países atuem em conjunto, nomeadamente numa "década decisiva, que vai determinar os nossos futuros". A partir de Nova Iorque, pediu que todos se juntem na luta contra a covid-19, ao mesmo tempo que o planeta se deve começar a preparar para o surgimento de uma nova pandemia.

As alterações climáticas foram o segundo ponto focado por Joe Biden, que lembrou as recentes catástrofes que abalaram o mundo, sendo que algumas delas se verificaram nos Estados Unidos.

Para o presidente norte-americano, este é um momento de "escolher entre lutar pelo futuro em conjunto ou não", pensando nas "gerações que estão por vir". Puxando os galões de maior potência do Ocidente, Joe Biden apresentou-se com a intenção de trabalhar para responder aos problemas e "liderar o mundo para um futuro mais próspero e pacífico", o que marca uma diferença em relação à visão do seu antecessor. Recorde-se que Donald Trump optou sempre por uma visão mais isolacionista, chegando mesmo a anunciar a saída da ONU.

Estamos de volta aos fóruns internacionais, especialmente nas Nações Unidas, para focar a atenção estimular a ação global nos desafios que partilhamos", afirmou, relembrando também o regresso da cooperação com a Organização Mundial de Saúde.

Na 76.ª Assembleia Geral da ONU, Joe Biden falou de problemas como a covid-19, o clima, mas também a economia e a ameaça do terrorismo, aproveitando a ponte para falar no fim da guerra no Afeganistão, à qual se seguem "novas formas" de ajudar as pessoas e a implementar a democracia.

O governo para e pelas pessoas ainda é a melhor forma de responder às pessoas", disse, garantindo que os Estados Unidos vão continuar a defender os seus aliados.

Afirmando-se prontos para trabalhar em conjunto com qualquer aliado que queira a paz, os Estados Unidos entendem, na visão da nova administração, que os benefícios da globalização devem ser partilhados por todos.

Em resposta ao apelo do secretário-geral da ONU, que pediu uma ação rápida para manter o aumento da temperatura em 1,5 graus, Joe Biden referiu que "todas as nações precisam de colocar as ambições ao máximo" no encontro do COP26, que vai decorrer em Glasgow.

Puxando dos galões da ação norte-americana, anunciou que os Estados Unidos reviram os objetivos do Acordo de Paris, comprometendo-se agora a emitir em 2030 50% das emissões registadas em 2005, quando esse número era inicialmente de 52%.

Também neste ponto, Joe Biden disse que, em conjunto com o Congresso, está já a ser elaborado um plano para ajudar os países mais pobres no combate à crise, e que vai mobilizar 100 mil milhões de dólares (cerca de 850 mil euros).

António Guimarães