O presidente dos EUA, Joe Biden, reuniu-se na quarta-feira com os principais dirigentes de empresas tecnológicas e instituições financeiras para articular esforços no combate a crescentes e sofisticados ataques informáticos.

A reunião realiza-se em contexto de incessantes ataques a infraestruturas críticas e empresas relevantes, em alguns casos com os atacantes a extorquirem resgates no montante de vários milhões de dólares, bem como outras operações informáticas ilícitas que as autoridades dos EUA ligaram a piratas informáticos estrangeiros.

Em declarações públicas antes do início da reunião, Biden referiu-se à segurança dos sistemas informáticos como “um desafio central para a segurança nacional” dos EUA.

A realidade é a de que muita da nossa infraestrutura crítica é possuída e operada pelo setor privado, e o governo federal não pode responder a este desafio sozinho”, disse Biden.

Convidei-vos a todos para estarem aqui hoje porque têm o poder, a capacidade e a responsabilidade, acredito, de elevar a exigência na segurança informática”, reforçou.

Se bem que os ataques com programas concebidos para o pirata conseguir o controlo do sistema informático da entidade em causa, que só é devolvido mediante o pagamento de um resgate, sejam um dos focos da reunião, o objetivo é mais vasto e centrado na identificação das “causas primárias da atividade informática maliciosa” e do contributo do setor privado para elevar a segurança informática, disse um dirigente sénior da Casa Branca, que falou com jornalistas na condição de não ser identificado.

A lista de convidados para o encontro inclui Tim Cook, da Apple, Andy Jassy, da Amazon, e Sundar Pichai, da Alphabet, a ‘holding’ da Google. Os líderes da IBM, Microsoft e Automatic Data Processing constam igualmente da lista.

Já a equipa presidencial, além de Biden, conta com vários secretários e responsáveis da segurança nacional.

A reunião ocorre quando a equipa de Biden está a ser absorvida pela retirada militar do Afeganistão e pela caótica retirada de cidadãos afegãos e norte-americanos.

O facto de a reunião se ter mantido neste contexto realça a importância que a Casa Branca dá ao assunto, com um dirigente sénior da equipa de Biden a dizer mesmo que este evento é “um apelo à ação”.

Entre a lista dos convidados estão dirigentes da indústria financeira, incluindo os do Bank of America e JPMorgan Chase, bem como da energia, educação e seguros.

O espetro amplo dos participantes decorre do facto de os ataques informáticos terem ocorrido em praticamente todos os setores económicos. Em maio, por exemplo, piratas informáticos associados a um grupo criminoso baseado na Federação Russa lançaram um ataque a um dos principais oleodutos dos EUA, levando mesmo a empresa a suspender as operações.

Semanas depois, foi a vez de o maior processador de carne do mundo, a JBS SA, ter sido atacada por outro grupo, de piratas.

Em ambos os casos, as empresas tiveram de pagar resgates multimilionários para voltarem a ter o controlo dos seus sistemas informáticos.

Na quarta-feira, Biden recordou uma cimeira com o presidente russo, Vladimir Putin, na qual lhe disse que esperava que a Rússia tomasse medidas para controlar estes gangues de piratas, porque “sabe quem são e onde estão”.

/ JGR