O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, anunciou este sábado que, embora ainda não haja uma declaração final de vitória, os números são explícitos: vai "vencer a corrida".

Ainda não temos uma declaração final de vitória, mas os números dizem-nos que vamos vencer a corrida", afirmou o candidato numa conferência de imprensa em Delaware.

Depois de, em 24 horas, ter virado os estados da Geórgia e da Pensilvânia para os democratas, Joe Biden reafirmou que não tem dúvidas de que vai sair vitorioso nesses estados, mas também em zonas chave para a sua eleição, como o Arizona e o Nevada - onde duplicou o número de votos nas últimas horas.

Estamos no caminho para obter mais de 300 votos eleitorais. E reparem nos números a nível nacional. Vamos vencer a corrida com uma clara maioria, com a nação a apoiar-nos", afirmou.

Devemos ultrapassar a cólera", acrescentou, e prometeu também trabalhar, a partir do "primeiro dia" na Casa Branca para combater a pandemia da covid-19, que já causou um total de mais de 236 mil mortos e de mais de 9,7 milhões de casos no país.

Biden salientou que "não está à espera para começar a trabalhar", tendo mantido reuniões, juntamente com a senadora Kamala Harris, candidata a vice-Presidente, sobre a situação da covid-19 e a economia no país.

Não temos mais tempo a perder com guerras partidárias", sublinhou, dirigindo-se a milhões de norte-americanos desempregados e com dificuldados em pagar a renda ou comprar comida.

Joe Biden, antigo vice-presidente na administração Obama e um veterano de 36 anos do Senado, disse que os números mostram uma diferença para Donald Trump de mais de quatro milhões de votos, com a margem "ainda a crescer".

Biden, primeiro democrata a vencer no Arizona em 24 anos - segundo a Associated Press - está muito perto de fazer xeque-mate no estado da Geórgia, que tem sido uma autêntica fortaleza republicana nos últimos 28 anos e um dos campos de batalha mais importantes na corrida à presidência e no controlo do Senado. Em 2016, Trump venceu no estado com uma diferença de 5% para Hillary Clinton.

O candidato fez uma comparação com 2016 e declarou que, nestas eleições, os democratas conseguiram reconstruir o "muro azul no centro do país, que se desmoronou há quatro anos. Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, as terras no coração" dos Estados Unidos.

A campanha de Trump ficou subitamente muda, depois de vários dias marcados por acusações à integridade da eleição, que levaram mesmo alguns republicanos a afastarem-se do ainda presidente.

Um dos casos conhecidos foi o governador de Maryland, Larry Hogan, que disse não  haver “defesa para os comentários do presidente por ter minado o processo democrático”: “A América está a contar os votos e devemos respeitar os resultados como sempre fizemos”, sublinhou o republicano.

Através do Twitter, Donald Trump prometeu ações judiciais e defendeu que Biden não deveria “reivindicar indevidamente o cargo de presidente”.

Às 02:30 da manhã deste sábado, Trump voltou a atacar, insistindo, através do Twitter, que o “Supremo Tribunal norte-americano deve decidir!”.

A campanha de Trump avançou com vários processos legais na Pensilvânia, Michigan e Geórgia, exigindo, ainda, a recontagem dos votos em Wisconsin. No entanto, os juízes dos três estados já recusaram as ações.

Num país politicamente dividido, o próximo presidente terá vários desafios, tais como conseguir combater a pandemia de covid-19.

Os Estados Unidos são o país mais atingido pelo coronavirus, ao contar com o mais alto número de mortos (234.944) e também com mais casos de infeção confirmados (mais de 9,6 milhões).