O presidente chinês alertou esta terça-feira o homólogo norte-americano que trabalhar em prol da independência de Taiwan seria “brincar com o fogo”, à medida que a China aumenta a pressão militar sobre a ilha.

As autoridades taiwanesas tentaram repetidamente contar com os Estados Unidos para alcançarem a independência e algumas [forças políticas] nos Estados Unidos estão a tentar usar Taiwan para conter a China”, observou Xi Jinping.

“É uma tendência muito perigosa, que equivale a brincar com o fogo, frisou o chefe de Estado chinês, de acordo com um comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

Joe Biden, por sua vez, advertiu Xi Jinping que os Estados Unidos “opõem-se veementemente” a qualquer “tentativa unilateral de mudar o 'status quo' ou minar a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan", indicou um texto publicado pela Casa Branca, no final do encontro, por videoconferência.

O presidente norte-americano reafirmou, recentemente, por duas vezes, o compromisso dos EUA em defender Taiwan, no caso de um ataque da China.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Pequim ameaça utilizar a força para travar a independência formal do território.

Diálogo significativo

Joe Biden e Xi Jinping realizaram a primeira reunião, por videoconferência, desde que o líder norte-americano assumiu o poder, no início do ano. O diálogo prolongou-se por três horas e meia, mais do que o originalmente programado.

A relação entre a China e os Estados Unidos atravessa o pior momento em várias décadas, marcada por disputas comerciais e tecnológicas, direitos humanos ou o estatuto de Taiwan e do mar do Sul da China.

Funcionários chineses criticam frequentemente a Casa Branca por interferir no que consideram ser assuntos internos da China.

Joe Biden expressou as suas “preocupações sobre as práticas (da China) em Xinjiang, Tibete e Hong Kong, e os Direitos Humanos, no geral”, referiu o comunicado da Casa Branca, acrescentando que Biden classificou como injustas as práticas comerciais e económicas da China.

Estas declarações contrastam com a cordialidade demonstrada no início da reunião, em que os dois homens se cumprimentaram, com um acenar de mãos, através dos ecrãs, de acordo com as imagens divulgadas.

Biden defendeu que a “competição entre os dois países não se deve transformar num conflito, seja de forma intencional ou não”.

A China e os Estado Unidos devem melhorar a comunicação e cooperação”, frisou também Xi, que admitiu sentir-se feliz por voltar a ver o “velho amigo”.

As duas conversas anteriores entre os líderes foram realizadas por telefone.

A chegada de Joe Biden ao poder alterou o tom agressivo na Casa Branca em relação ao país asiático, cultivado pelo antecessor no cargo Donald Trump, mas a relação bilateral continua extremamente tensa.

A Casa Branca estabeleceu baixas expectativas para a reunião, que acabou sem nenhum anúncio importante ou até uma declaração conjunta.

Ainda assim, funcionários da Casa Branca citados pela agência de notícias Associated Press disseram que os dois líderes mantiveram um diálogo significativo, abordando assuntos regionais importantes, como Coreia do Norte, Afeganistão e Irão.

Biden teria preferido reunir-se com Xi pessoalmente, mas o líder chinês não sai da China desde o início da pandemia da covid-19. A Casa Branca propôs uma reunião virtual como a segunda melhor opção para permitir uma conversa franca entre os dois líderes sobre uma ampla gama de tensões no relacionamento.

Xi disse a Biden que, embora fosse bom vê-lo, uma reunião virtual não era “tão boa quanto uma reunião frente a frente”.

/ JGR