É um feito raro na história, mas aconteceu outra vez. Um democrata venceu o Arizona numa eleição presidencial americana, o que representa uma mudança bastante significativa para um estado que já foi um reduto republicano.

Desde 1948, quando o democrata Harry Truman venceu no estado, ocorreram 17 eleições americanas antes das de 2020, que elegeu Joe Biden. Entre essas 17 votações, apenas no ano de 1996 - com Bill Clinton a superar Bob Dole - é que os democratas ganharam aos republicanos no Arizona, na escolha do presidente.

A CNN projetou, ao final da noite desta quinta-feira, que o presidente eleito Joe Biden derrotou Donald Trump no Arizona, levando, assim, mais 11 delegados.

A vitória de Biden no estado que impulsionou líderes republicanos como Barry Goldwater e John McCain à proeminência nacional pode prever problemas para o partido no futuro.

Segundo a CNN, três mudanças importantes no estado ajudaram os democratas este ano: uma população latina crescente que apoia os democratas, um aumento de eleitores que se mudaram de estados mais liberais como a Califórnia e o Illinois para o Arizona e a forma como os eleitores que vivem nos subúrbios de cidades romperam totalmente com o Partido Republicano liderado por Donald Trump.

O Arizona, ao ficar "azul" (a cor do partido democrata), está a aproximar-se do seu vizinho a noroeste, o Nevada.

Trump recusa-se a aceitar resultados

A mais recente polémica prende-se com o facto de o Governo de Donald Trump estar a bloquear as mensagens que os líderes mundiais estão a enviar ao presidente eleito, Joe Biden.

A CNN informou na quarta-feira que o Departamento de Estado se recusa a entregar dezenas de mensagens de líderes estrangeiros dirigidas a Biden e à sua equipa de transição.

Trump continua a não reconhecer a derrota eleitoral e está a tentar na Justiça norte-americana reverter os resultados das presidenciais, realizadas em 3 de novembro.

Funcionários do Departamento de Estado disseram à CNN que as mensagens para Biden começaram a chegar no último fim de semana, quando a sua vitória foi confirmada.

O Departamento de Estado normalmente organiza comunicações com presidentes eleitos, mas a administração Trump negou à sua equipa de transição o acesso às informações e contactos necessários para iniciar essa tarefa.

Biden, no entanto, manteve conversas com líderes mundiais, como a chanceler alemã, Angela Merkel, o Presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ou o seu homólogo irlandês, Micheál Martin.

O primeiro líder estrangeiro que falou com Biden para lhe dar os parabéns pela vitória, na última segunda-feira, foi o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau. Na quarta-feira, falou com os primeiros-ministros do Japão, Yoshihide Suga, da Austrália, Scott Morrison, e com o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

O número de países que ainda não reconheceram Biden vem diminuindo, mas inclui as duas principais potências da América Latina - México e Brasil -, além da Rússia e China.

Lara Ferin