Joe Biden reagiu esta quinta-feira aos atentados que mataram pelo menos 85 pessoas no Afeganistão, incluindo militares norte-americanos, e deixou um aviso: os Estados Unidos não estão intimidados e prometem retaliar.

Não iremos perdoar, não iremos esquecer. Vamos perseguir-vos e fazer-vos pagar", declarou o presidente norte-americano, reiterando: "Dissemos que íamos completar esta missão e vamos. Os terroristas do ISIS não irão vencer".

Num discurso transmitido ao final da tarde em Washington, Biden afirmou que os ataques desta tarde eram esperados, mas que isso não vai alterar a estratégia definida para a saída dos EUA do Afeganistão.

O presidente norte-americano apresentou os pêsames aos familiares dos que morreram nas explosões e, de forma inédita, pediu um minuto de silêncio durante a conferência de imprensa.

Os militares que morreram foram heróis. Heróis que participaram numa missão perigosa para proteger a vida dos outros. As vidas perdidas foram ao serviço da liberdade", disse Joe Biden. 

Um ataque fora do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, esta quinta-feira, fez pelo menos 85 mortos, entre 72 civis afegãos e 13 militares dos Estados Unidos, segundo várias fontes citadas pela Associated Press. Segundo o hospital de Cabul, há pelo menos 170 feridos.

O ataque envolveu dois bombistas suicidas e ainda homens armados que dispararam sobre a multidão que tenta fugir do país através do aeroporto.

O atentado já foi revindicado pelo Estado Islâmico. Fontes norte-americanas citadas pela Reuters tinham dado conta que o ataque teria sido executado pelo grupo ISIS-K.

O presidente norte-americano disse que nas últimas 12 horas, cerca de 7 mil pessoas saíram do país, das quais 5 mil são norte-americanos, num total de 104 mil desde o início da crise, em meados de agosto, e vincou que a resposta norte-americana aos ataques não vai vacilar.

Vamos responder com precisão num momento à nossa escolha; vocês não vão ganhar, vamos salvar os americanos e os aliados afegãos, mas a missão vai continuar, não seremos intimidados, tenho toda a confiança que os militares vão continuar a missão", afirmou.

Já na parte das perguntas e respostas, Biden disse que "os talibãs não são boas pessoas" e explicou: "Eles agem pelos seus próprios interesses, de forma geral ninguém confia neles, contamos apenas no seu interesse próprio para continuarem a gerir as suas atividades, é no seu próprio interesse que as pessoas saiam".

Para Biden, "não há provas de que tenha havido um conluio entre o Estado Islâmico e os talibãs para levar a cabo o que se passou em frente ao aeroporto e em frente ao hotel, e ao que se espera que continue para além de hoje".

O presidente acrescentou que "é muito possível que haja outro ataque", mas argumentou que as chefias políticas e militares consideram que isso não deve impedir que se mantenha a ponte aérea para retirar os norte-americanos e os aliados afegãos.

Depois [de terça-feira, 31 de agosto] haverá várias oportunidades para dar acesso a mais pessoas para sair do país, seja através de meios que fornecemos ou que são dados em cooperação com os talibãs", acrescentou o chefe de Estado.

Questionado sobre as dificuldades que os norte-americanos e os aliados afegãos têm tido para conseguir sair do país mesmo com documentos válidos, Biden baixou as expectativas e admitiu que nem todos vão conseguir sair.

"Não há nenhum conflito em que, quando uma guerra acaba, um lado pode garantir que todos os que queriam sair conseguiram, há milhões de afegãos que não são talibãs e cooperaram connosco que se tivesse uma oportunidade para virem para os EUA, viriam amanhã mesmo; não se pode garantir que vamos tirar todos porque é preciso determinar quem e quantos são", argumentou Biden.

"Era altura de acabar uma guerra de há 20 anos", respondeu, quando questionado sobre como avalia o processo de saída do país, já depois de lembrar que o acordo de saída foi feito pelo seu antecessor, Donald Trump, em troca do fim dos ataques aos norte-americanos no país.

Rafaela Laja / Notícia atualizada às 08:02 de dia 27