Os coágulos sanguíneos devem ser considerados "efeitos secundários muito raros da vacina" da Johnson contra a covid-19, concluiu, nesta terça-feira, a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original).

O regulador europeu mantém, assim, a confiança na vacina produzida pela Janssen, braço farmacêutico da multinacional norte-americana Johnson & Johnson, depois de ter suspendido temporariamente a sua distribuição na União Europeia.

Para chegar a estas conclusões, os especialistas da EMA estudaram os casos reportados nos Estados Unidos, uma vez que a vacina de dose única ainda não está a ser administrada na Europa, incluindo os oito casos de coágulos associados a níveis de plaquetas baixas e que resultaram numa morte após a toma da vacina, num universo de sete milhões de pessoas vacinadas.

A EMA encontrou uma possível ligação a casos muito raros de coágulos de sangue invulgares com plaquetas sanguíneas baixas, […] mas confirma que o risco-benefício global permanece positivo”, explicou, em comunicado.

Os coágulos vão, assim, ser listados como efeitos secundários raros na informação sobre o produto, tal como aconteceu com a vacina da AstraZeneca, considerado o regulador que “os benefícios globais da vacina Janssen na prevenção da doença superam os riscos de efeitos secundários”.

A EMA verificou, também, que “todos os casos ocorreram em pessoas com menos de 60 anos de idade no prazo de três semanas após a vacinação, a maioria mulheres”, sem ter conseguido confirmar fatores de risco específicos, podendo a explicação estar na “resposta imunológica” gerada.

Portugal já recebeu as primeiras 31.200 doses desta vacina, que estão armazenadas e a aguardar decisão do regulador português e da Direção-Geral da Saúde, após as conclusões da EMA.

Segundo apurou a TVI, não está previsto que a decisão seja comunicada ainda esta terça-feira.

Fonte do Infarmed garante que o processo para que a vacina comece a ser administrada em Portugal deve ser "muito breve".

Já fonte da task force do plano de vacinação remete a decisão para a DGS e o Infarmed, garantindo que está "preparada" para iniciar a administração assim que esta seja autorizada.

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Catarina Machado