O príncipe Hamza, acusado de conspirar contra o seu meio-irmão, o rei Abdullah II da Jordânia, declarou que não obedeceria a ordens para ficar em casa, numa gravação de áudio publicada hoje na rede social Twitter.

Claro que não vou obedecer (às ordens do chefe do Estado-Maior, general Youssef Huneiti) quando ele me diz que não tenho permissão para sair, para ‘tweetar’, para me comunicar com as pessoas e que só tenho permissão para ver minha família”, disse o príncipe Hamza nesta gravação, em que fala por telefone com um interlocutor.

No sábado, o chefe do Estado-Maior foi à casa do príncipe Hamza para lhe pedir que cesse "todos os movimentos e atividades que visam a segurança e estabilidade da Jordânia", mas a reunião correu mal, disse no domingo o vice-primeiro-ministro, Aymane Safadi.

Gravei toda a conversa e distribuí (…). Agora estou a esperar para ver o que vai acontecer e o que vão fazer. Não quero mexer-me porque não quero piorar a situação”, disse o príncipe na sua última gravação.

No sábado, o príncipe Hamza anunciou que estava "em prisão domiciliária" em seu palácio, em Amã.

Num vídeo transmitido à BBC pelo seu advogado, o príncipe afirmou que o chefe do Estado-Maior do Exército lhe havia dito que "não tinha permissão para sair" de sua casa.

Hamza negou ter participado numa conspiração, acusando as autoridades jordanas de "corrupção" e "incompetência".

No sábado, as autoridades jordanas prenderam várias pessoas "por razões de segurança" na capital, Amã.

De acordo com Safadi, duas personalidades jordanas, Bassem Awadallah e Cherif Hassan ben Zaid, assim como 14 a 16 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento nessa tentativa de "desestabilizar" o reino.

Hamza declarou, num vídeo enviado à BBC, que o chefe do Estado Maior jordano, lhe comunicou que estava proibido de sair de casa, uma represália por alegadamente ter participado em "atividades que estão a ser usadas para atingir a segurança e a estabilidade da Jordânia".

No vídeo, Hamza negou ter participado em qualquer atividade conspirativa e afirmou ter respondido ao general Yousef Huneiti que não é responsável pelo "colapso da governança, pela corrupção e incompetência que prevaleceram na estrutura do Governo nos últimos 15 a 20 anos".

Em comunicado, o chefe militar negou que Hamza tivesse sido preso.

Hamza, de 41 anos, foi o último filho do antigo rei Hussein com a sua quarta e última mulher, Noor, de origem americana.

Antes de morrer, em 1999, Hussein designou Hamza como príncipe herdeiro e o seu meio-irmão Abdullah como rei, mas o título de príncipe herdeiro foi-lhe retirado em 2004 e conferido ao filho mais velho de Abdullah II, Hussein.

/ MJC