O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza, rejeitou, na sexta-feira, que o Exército da Venezuela esteja vinculado com o assassínio de dois indígenas, na fronteira com o Brasil.

As vítimas faziam parte de uma comunidade indígena que defende a entrada de ajuda humanitária em território venezuelano.

O que aconteceu nada tem a ver com as versões divulgadas. De facto, alguns dos feridos foram atacados por armas brancas, machetes, inclusive setas", disse.

Jorge Arreaza falava em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas (ONU), durante uma conferência após um encontro com o secretário-geral daquele organismo, António Guterres.

É fácil, se há mortos na Venezuela, perto da fronteira, dizer que foi o Exército venezuelano, que foi (Nicolás) Maduro que mandou matar o povo", disse.

Segundo o ministro, as armadas usadas "não correspondem" às que usam as Forças Armadas da Venezuela.

Pouco antes, o presidente da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime) confirmou a morte de uma pessoa e referiu-se ao ocorrido como "um falso positivo".

Está a ser provado que no evento ocorrido não está envolvida a Guarda Nacional Bolivariana, pelo tipo de cartuchos que foram usados aí", disse, durante um concerto no Estado venezuelano de Táchira.

Pelo menos duas pessoas morreram, na sexta-feira, no Estado venezuelano de Bolívar (sul do país), na fronteira com o Brasil, durante confrontos entre o Exército e uma comunidade indígena que defende a entrada de ajuda humanitária no país.

As vítimas, um homem e uma mulher, pertenciam à comunidade Pemón e, segundo a oposição venezuelana, outras 15 pessoas ficaram feridas, três delas com ferimentos graves que estão a ser atendidas num hospital brasileiro.

Segundo a ONG Kapé Kapé, os incidentes ocorreram quando membros desta comunidade indígena tentaram impedir a passagem de uma coluna de veículos militares para a fronteira com o Brasil, que teria como missão bloquear uma estrada e impedir a entrada da ajuda humanitária internacional.

O presidente da Assembleia Nacional (parlamento) e autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, já exigiu que as forças militares venezuelanas entreguem os responsáveis envolvidos nestes incidentes.

Entretanto, através do Twitter, dois alegados feridos responsabilizaram o Presidente Nicolás Maduro pelo ocorrido e pediram que abandone o poder.

Por outro lado, através das redes, foram divulgadas fotos, de um incêndio numa "esquadra" da Guarda Nacional (polícia militar) alegadamente provocado pelos indígenas.

Washignton condena exército pelo uso da força contra civis

A Casa Branca condenou o exército venezuelano pelo "uso da força" contra civis, depois destes confrontos no sul da Venezuela, na fronteira com o Brasil.

Os Estados Unidos condenam veementemente o uso da força pelo exército venezuelano contra civis desarmados, voluntários e inocentes na fronteira da Venezuela com o Brasil", lê-se num comunicado divulgado por Washington.

 

Os Estados Unidos convocam o exército venezuelano a respeitar o seu dever constitucional de proteger os cidadãos da Venezuela. O exército deve permitir que a ajuda humanitária entre pacificamente no país", sublinhou a Casa Branca.

Governo ordena encerramento parcial da fronteira com a Colômbia

O Governo da Venezuela anunciou que vai encerrar parcialmente a fronteira com a Colômbia perante "as ameaças" contra a sua soberania, a poucas horas da esperada entrada de ajuda humanitária internacional através da cidade de Cúcuta.

Numa publicação divulgada na rede social twitter, na sexta-feira (madrugada de hoje, em Lisboa), a vice-Presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que o Governo vai "fechar temporariamente" as pontes Simón Bolívar, Santander e Unión.

A medida surge depois do Presidente, Nicolás Maduro, ter encerrado a fronteira com o Brasil, onde, no mesmo dia, confrontos entre o exército e uma comunidade indígena deixaram pelo menos dois mortos.

A entrada de ajuda humanitária, especialmente os bens fornecidos pelos Estados Unidos, no território venezuelano tem sido um dos temas centrais nos últimos dias do braço-de-ferro entre o autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó, e Nicolás Maduro.

O Governo venezuelano tem insistido em negar a existência de uma crise humanitária no país, afirmação que contradiz os mais recentes dados das Nações Unidas, que estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões.

Maduro encara a entrada desta ajuda humanitária como o início de uma intervenção militar por parte dos norte-americanos e tem justificado a escassez com as sanções aplicadas por Washington.