Chegou a ser campeão em 125 cc de Espanha, em 1996. Hoje, o ex-piloto espanhol Jorge Lis era mais conhecido pelas posições negacionista em relação à pandemia. Morreu na terça-feira vítima de covid-19, depois de ter rejeitado ser vacinado.

A história de Jorge Lis foi tornada pública pela irmã, Elena Lis, na edição do jornal Levante publicada no dia 15 de agosto. No texto, Elena explica que Jorge Lis acabou por se arrepender pelas posições extremistas e estava com receio do que lhe poderia acontecer. A autora partilhou ainda uma mensagem enviada pelo ex-piloto.

Tenho medo, Elena, que por ter sido um crédulo agora não consigamos parar isto. Esta semana foi um golpe. Uma das maiores lições da minha vida. Passar muito tempo no Twitter acabou por me radicalizar ao extremo. Oxalá tivesse sido vacinado”, escreveu o piloto à irmã.

A mensagem tinha sido enviada através do WhatsApp por Jorge Lis depois do teste PCR com resultado positivo. Dias depois o motociclista acabou por ser internado no Hospital La Fe de Valencia, a meados de julho.

Este vírus é assim, traiçoeiro. Numa questão de horas, ele [Jorge Lis] deixou de acreditar que iria ter alta e foi-lhe diagnosticada uma gravíssima pneumonia bilateral”, explica a irmão Elena.

O quadro clínico complicou-se. Jorge Lis acabou por ser colocado em coma induzido e, nos últimos 45 dias, esteve internado na unidade de cuidados intensivos ventilado artificialmente através de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorporal), num estado de extrema gravidade.

Ele, que ao início vivia aterrorizado com a pandemia, de repente mudou e acabou infetado por um vírus invisível e muito perigoso. O vírus de todas as teorias que negam a existência da covid-19 e relativizam os seus efeitos. Ele ouvia todos os supostos gurus, que se gabavam de ter informações privilegiadas, dados económicos e sociais fora do alcance do resto dos mortais”, acrescenta a irmã.

Para além, do sucesso no motociclismo de alta competição, Jorge Lis trabalhou como coach, foi editor de audiolivros e acabou por voltar aos circuitos de competição como gerente de jovens pilotos como Bernat Martínez e Steven Odendaal no Mundial de Superbikes.

Nuno Mandeiro