A União Europeia criticou a contínua repressão da imprensa por parte das autoridades bielorrussas, após o encerramento, na sexta-feira, da maior associação independente de jornalistas do país.

O encerramento da associação junta-se a outros casos de perseguição a trabalhadores de meios de comunicação social, devido a uma onda de protestos contra o governo.

Este encerramento faz parte da repressão contínua e sistemática a todas as vozes independentes do país”, disse na segunda-feira um porta-voz do Serviço Europeu para a Ação Externa, recordando que há 27 trabalhadores de meios de comunicação social entre os 649 presos políticos conhecidos na Bielorrússia.

Em maio, foi “silenciada” a plataforma independente de meios de comunicação tut.by e abertas investigações criminais à sua direção e jornalistas, enquanto em julho prosseguiu “a repressão sem tréguas a organizações não-governamentais (ONG) e defensores dos direitos humanos”, acrescentou.

A União Europeia, frisou o porta-voz, condena a repressão e pede às autoridades de Minsk que lhe coloque um ponto final, que cumpram as suas obrigações internacionais e que respeitem os direitos humanos e liberdades fundamentais da sua própria população.

A Bielorrússia vive uma profunda crise política desde as eleições presidenciais de agosto de 2020, nas quais Lukashenko foi declarado vencedor por uma larga margem, resultado classificado como fraudulento pela oposição e pelo Ocidente.

Durante vários meses, milhares de manifestantes saíram às ruas em várias cidades do país, para participar em manifestações pacíficas que foram violentamente reprimidas pela polícia.

Desde então, o regime bielorrusso iniciou campanhas de repressão e perseguição a opositores, jornalistas independentes e organizações não-governamentais, de que resultaram mais de 600 presos políticos e 50 ONG encerradas, de acordo com o centro para os direitos humanos Vesná.

Foram ainda movidos 4.691 processos-crime a participantes nas manifestações, de acordo com o site de informação Zerkalo.io.

Além disso, foram detidos várias centenas de jornalistas, dos quais 29 continuam presos e 50 enfrentam acusações penais, informou em julho a Associação de Jornalistas da Bielorrússia, cujo encerramento foi ordenado em 27 de agosto pelo regime.

/ NM